Trump anuncia fim das relações comerciais com a Espanha

Depois de a Espanha negar o uso de bases militares para operações contra o Irã, os Estados Unidos anunciaram planos para suspender todo o comércio bilateral. Durante reunião com o chanceler alemão Friedrich Merz , nesta terça-feira, 3, o presidente Donald Trump afirmou que instruiu o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a “cortar todas as relações” com a Espanha, classificando a postura do país europeu como “terrível”. + Leia mais notícias de Mundo em Oeste Trump também declarou que os EUA “não querem nada com a Espanha” e justificou a medida citando a negativa espanhola em permitir que as bases de Rota e Morón, no sul do país, fossem usadas pelos militares norte-americanos depois da solicitação de missões relacionadas ao Irã. Depois da decisão do governo socialista espanhol, as forças dos EUA transferiram 15 aeronaves, incluindo aviões-tanque, para outras localidades. https://www.youtube.com/watch?v=M_qlvcxSf-8 Críticas à atuação espanhola e ameaças econômicas Além do impasse sobre as bases, o presidente norte-americano criticou Madri por não atender à demanda de elevação dos gastos militares na Otan para 5% do PIB. Bessent, ao lado de Trump, disse que orientaria o Representante de Comércio e o Departamento de Comércio dos EUA a abrir investigações para avaliar sanções à Espanha. Embora a Suprema Corte tenha limitado o uso da IEEPA (Lei dos Poderes Econômicos de Emergência Internacional) para tarifas globais, Trump defendeu que a decisão “reafirmou totalmente” sua autoridade para impor embargos comerciais integrais. A IEEPA, válida desde 1977, permite sanções que excluem entidades de países como Irã, Rússia e Coreia do Norte do sistema financeiro dos EUA e autoriza restrições a exportações de tecnologia sensível. Resposta da Espanha Em resposta, o governo espanhol divulgou nota sublinhando a importância da autonomia das empresas privadas, do respeito ao direito internacional e dos acordos comerciais com os EUA e a União Europeia. Madri assegurou ter recursos para enfrentar possíveis impactos de um embargo e declarou que seguirá defendendo o livre comércio e a cooperação econômica com parceiros internacionais. A Espanha, maior exportadora mundial de azeite de oliva, também fornece autopeças, aço e produtos químicos aos EUA, mas possui menor vulnerabilidade a sanções em relação a outros países europeus. Em 2025, os EUA tiveram superávit de US$ 4,8 bilhões no comércio com a Espanha, com exportações de US$ 26,1 bilhões e importações de US$ 21,3 bilhões, conforme dados oficiais norte-americanos. Pressões internas Friedrich Merz afirmou que a Espanha enfrenta pressão interna da Europa para elevar os gastos em defesa. “Estamos tentando convencer a Espanha a alcançar os 3% ou 3,5% que acordamos na Otan”, disse o chanceler alemão, destacando que Madri é a única que ainda não aceitou o compromisso, essencial para a segurança coletiva europeia. A relação entre Espanha e EUA também enfrenta desafios relacionados à migração e à recusa espanhola em aumentar o orçamento militar conforme defendido por Washington. O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, representante da esquerda europeia, já havia impedido que navios com armas para Israel atracassem em portos espanhóis e anunciou planos de processar donos de plataformas digitais. Leia também: "Tiro ao alvo no topo do mundo" , artigo de Guilherme Fiuza, publicado na Edição 311 da Revista Oeste O post Trump anuncia fim das relações comerciais com a Espanha apareceu primeiro em Revista Oeste .