Uma descoberta arqueológica na Sibéria está surpreendendo cientistas ao sugerir que procedimentos cirúrgicos complexos já eram realizados há cerca de 2.500 anos. O estudo analisou os restos mortais parcialmente mumificados de uma mulher da Idade do Ferro que teria sobrevivido por algum tempo após passar por uma intervenção no crânio. Entenda: Em 1968, a União Soviética enviou duas tartarugas à Lua... e elas voltaram vivas para contar a história Antes da escrita? Estudo identifica símbolos usados por humanos há mais de 40 mil anos A mulher, que teria entre 25 e 30 anos ao morrer — idade próxima à expectativa de vida da época — foi encontrada dentro de um caixão de madeira preservado pelo gelo no sul da Sibéria. Os exames revelaram sinais de um traumatismo craniano severo que provavelmente comprometia funções básicas, como falar e se alimentar. Indícios de uma cirurgia sofisticada Pesquisadores da Universidade Estadual de Novosibirsk, na Rússia, recorreram a tomografias computadorizadas para estudar a múmia sem danificá-la. As imagens mostraram dois pequenos orifícios feitos deliberadamente no osso da mandíbula, indicando uma intervenção médica. Dentro desses canais, os cientistas identificaram vestígios de um material elástico, que pode ter sido crina de cavalo ou tendão animal. Segundo o professor Andrey Letyagin, responsável pelo estudo, esse elemento funcionaria como uma prótese rudimentar para manter a articulação estabilizada. — É possível que tenhamos descoberto, pela primeira vez, evidências de um procedimento cirúrgico desse tipo — afirmou o pesquisador. De acordo com a análise, a estrutura improvisada permitia que a mandíbula ainda se movimentasse, embora a paciente provavelmente sentisse dor ao mastigar do lado lesionado. Os pesquisadores também identificaram formação de novo tecido ósseo em parte da região operada, o que indica que a mulher pode ter vivido meses — ou até anos — após o procedimento. Marcas no crânio sugerem que ela passou a mastigar mais do lado oposto da mandíbula. A mulher fazia parte do povo Pazyryk, um grupo relativamente pequeno da Idade do Ferro. Para os especialistas, o esforço empregado para tentar salvá-la indica que sua vida era considerada valiosa dentro da comunidade.