Bancos da Bolívia rejeitarão notas levadas do local de acidente com avião que deixou 22 mortos; entenda

A queda de uma aeronave militar que transportava dinheiro para o banco central levou autoridades financeiras da Bolívia a adotar medidas emergenciais para evitar a circulação de cédulas desviadas após o acidente. O avião, um C-130 Hércules da Força Aérea Boliviana, saiu da pista ao pousar na cidade de El Alto, na sexta-feira (27), provocando um desastre que deixou 22 mortos e ao menos 40 feridos. Dinheiro cai do céu após acidente de avião fatal na Bolívia. Governo tenta destruir as notas Queda de avião militar que transportava dinheiro deixa ao menos 20 mortos na Bolívia Segundo informações oficiais, a aeronave levava cerca de 17 milhões de novas notas, equivalentes a aproximadamente 50 milhões de bolivianos (R$ 38 milhões). Após ultrapassar o limite do aeroporto que atende a região de La Paz, o avião atravessou uma cerca e atingiu pelo menos uma dúzia de veículos em uma avenida próxima, de acordo com imagens de câmeras de segurança. Vídeos que circularam nas redes sociais mostraram grande quantidade de dinheiro espalhada pelo local da queda. Moradores se aglomeraram para recolher as cédulas, o que dificultou o trabalho de equipes de resgate. Policiais e bombeiros usaram canhões de água e gás lacrimogêneo para dispersar a multidão, enquanto parte das notas restantes foi incinerada pelas autoridades. Confusão sobre validade das cédulas Nos dias seguintes ao acidente, houve informações divergentes sobre a validade do dinheiro transportado. O ministro da Defesa afirmou inicialmente que as notas não tinham valor por falta de numeração completa. Depois, o Banco Central da Bolívia suspendeu temporariamente a circulação das três denominações da chamada série B, à qual pertencia o lote. Posteriormente, a instituição divulgou a lista específica de séries e números das cédulas que estavam na aeronave. Apenas essas passaram a ser desativadas por tempo indeterminado, enquanto as demais notas da mesma série voltaram a ser consideradas válidas a partir de segunda-feira. Diante da possibilidade de parte do dinheiro ter sido recolhida no local do acidente, a Associação de Bancos Privados da Bolívia anunciou que as instituições financeiras passaram a adotar controles para impedir sua circulação. Caso uma dessas cédulas seja identificada, os bancos deverão retê-la, invalidá-la e encaminhá-la para destruição. Autoridades estimam que cerca de 30% do total transportado tenha sido levado por pessoas que estavam na área após a queda. Para ajudar a população a identificar as notas afetadas, o Banco Central também lançou um aplicativo que permite verificar, por meio do número adicional impresso nas cédulas de 10, 20 e 50 bolivianos da série B, se elas pertencem ao lote do avião. Enquanto isso, as causas do acidente ainda são investigadas. A caixa-preta da aeronave foi recuperada no sábado, e a análise pericial pode levar de algumas semanas a até um ano, segundo autoridades. O local do desastre foi liberado no domingo, depois da retirada dos destroços do avião e dos veículos atingidos.