O Quarto Tribunal de Sentenciamento de San Salvador condenou a 15 anos de prisão Rony Johansen Caishpal Núñez por desviar recursos de uma cliente falecida por meio de crimes informáticos. A decisão, divulgada na sexta-feira (27), concluiu que o então funcionário do banco acessou irregularmente a conta da vítima e transferiu valores para contas ligadas ao casal. 'Vovô fisiculturista': 'saradão' 50+ perde 80 quilos e mostra rotina saudável nas redes sociais Vídeo: Lutador de wrestling acerta chute no rosto de mulher da plateia durante disputa nos Estados Unidos Segundo o processo, o esquema permitiu a movimentação de mais de US$ 73 mil, cerca de R$ 385 mil, em transações eletrônicas. Como parte das reparações civis, a Justiça determinou que Caishpal Núñez devolva US$ 47.851,58 à instituição financeira afetada, enquanto sua esposa, Amalia Doménica Gutiérrez de Caishpal, deverá pagar US$ 25.281. A decisão judicial detalha que as partes investigadas dividiram os valores apropriados em diferentes saques e transferências, gerando responsabilidades civis proporcionais que devem cumprir em favor do banco afetado Captura de tela dos Centros Judiciais As investigações apontam que, em 2 de agosto de 2021, o funcionário criou uma conta bancária online em nome de uma cliente que havia morrido meses antes, em abril daquele ano. Com acesso ao sistema, ele estabeleceu um perfil de transações e transferiu valores aplicados em depósitos a prazo, apropriando-se do capital e dos juros. Os recursos foram distribuídos entre sete contas diferentes e parte do dinheiro foi sacada em caixas eletrônicos próximos à residência do casal. Pelos crimes, Caishpal Núñez recebeu penas que somam 15 anos — oito por furto mediante computador, quatro por roubo de identidade e três por acesso não autorizado a dados informáticos. A esposa foi condenada a quatro anos de prisão por participação no desvio. Rede maior sob investigação O caso ocorre em meio a uma investigação mais ampla conduzida pela Procuradoria-Geral da República de El Salvador. Em outubro, o órgão informou que 124 integrantes de uma organização transnacional de crimes cibernéticos permanecem presos preventivamente enquanto o processo avança. Outros 32 suspeitos são considerados foragidos. De acordo com decisão do Segundo Tribunal de Combate ao Crime Organizado de San Salvador, todos os processos relacionados ao grupo serão reunidos em um único caso. A investigação começou em maio de 2025, após autoridades identificarem o uso de contas bancárias, transferências internacionais e plataformas de criptomoedas para lavagem de dinheiro. O volume movimentado chega a cerca de US$ 6 milhões. Segundo as autoridades, a organização reunia 549 pessoas de países como Colômbia, Equador, Venezuela, Guatemala e Honduras, que utilizavam redes sociais e meios digitais para aplicar fraudes e ocultar recursos. A etapa investigativa segue sob sigilo e pode durar até dois anos. A legislação salvadorenha prevê penas de até seis anos de prisão para crimes informáticos que afetem sistemas públicos ou serviços essenciais. A norma também permite a punição de delitos iniciados no exterior, desde que tenham impacto em sistemas ou interesses protegidos pelo país.