Primeira fase de PDV dos Correios tem adesão de cerca de 2 mil funcionários; empresa quer chegar a 10 mil desligamentos

A primeira fase do Plano de Desligamento Voluntária (PDV) promovido pelos Correios teve adesão de cerca de 2 mil funcionários, segundo integrantes da empresa. O número ainda está longe da meta que a cúpula quer alcançar este ano, de 10 mil desligamentos. Veja: Correios trocam diretores de operação e financeiro Venda de 21 imóveis em leilões: objetivo dos Correios é arrecadar R$ 1,5 bi até dezembro Até o fim de 2027, a expectativa é de que as demissões voluntárias cheguem a 15 mil. A meta prevê uma economia anual estimada de R$ 2,1 bilhões. Apesar de ser um resultado parcial, nos bastidores dos Correios há preocupação com o sucesso da iniciativa liderada pelo presidente Emmanoel Rondon. O atual plano fica aberto para adesões até o dia 31 de março. Nesta segunda-feira, foi encerrado o prazo para inscrições daqueles funcionários que querem deixar a empresa no dia 16 deste mês. Os desligamentos subsequentes estão previstos para abril e maio. De acordo com pessoas com conhecimento do assunto, as regras do PDV lançado este ano são bastante similares ao desenho de 2025, ainda na gestão de Fabiano Silva dos Santos, em que apenas 3,6 mil funcionários fizeram a adesão. As indenizações têm teto de R$ 600 mil. Correios abrem inscrição para PDV: objetivo é cortar 10 mil vagas em 2026 Interlocutores afirmam que esse valor limita o interesse de servidores em funções mais elevadas, mas reconhecem que é o desenho possível para que o custo do programa valha a pena dentro do plano de reestruturação da empresa, que busca reduzir gastos estruturais. Para tentar aumentar a atratividade, os Correios lançaram para este público um novo plano de saúde, que abarca familiares. O valor é custeado pelos funcionários, mas a contratação é mais barata se comparado a um orçamento individual do servidor. Outros observadores avaliam que a estratégia da direção é apostar no fechamento de unidades como incentivo à adesão. A pedidos: Moraes suspende trechos de decisão do TST que obrigou Correios a pagar 'vale-peru' e 70% de adicional de férias a empregados O PDV é uma das iniciativas da cúpula dos Correios para tentar reverter o prejuízo recorde da empresa. Além disso, a estatal espera arrecadar R$ 1,5 bilhão com leilão de imóveis. O plano também prevê regularização de dívidas, medidas para aumentar a qualidade operacional e novas parcerias para diversificar receitas. Novo empréstimo As iniciativas estão sendo custeadas com o empréstimo de R$ 12 bilhões contratado com um grupo de cinco bancos no fim do ano passado. O governo já autorizou a concessão de novo crédito de até $ 8 bilhões em 2026 com aval da União. Como mostrou o GLOBO, a direção da empresa deve começar a negociar com as instituições financeiras nesta semana. No fim do ano passado, a empresa, que vive a pior crise de sua história, conseguiu fechar um contrato de R$ 12 bilhões com um grupo de cinco instituições financeiras, mas o objetivo da estatal comandada por Emmanoel Rondon sempre foi alcançar R$ 20 bilhões em crédito para poder colocar em prática ações para reverter o prejuízo da empresa. O novo empréstimo dos Correios já foi "pré-aprovado" pelo governo, conforme decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) da semana passada. O colegiado, formado pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do Banco Central, atualizou o limite para contratações de operações de crédito por órgãos e entidades do setor público e criou um sublimite específico para operações dos Correios com garantia da União.