O ataque conjunto de Estados Unidos e Israel ao Irã elevou o conflito para além do campo aéreo e terrestre. O novo epicentro da tensão está no mar — mais especificamente no Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. Câmeras de trânsito e torres de telefone hackeadas: CIA vigiou durante anos a mesma rua antes da operação que matou Khamenei Funeral de Ali Khamenei começa nesta quarta-feira em Teerã e terá três dias de cerimônias Diante da escalada, o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou o deslocamento do porta-aviões Charles de Gaulle do Mar do Norte para o Mediterrâneo, além de uma iniciativa conjunta com parceiros europeus para “garantir o respeito ao direito de navegação” na região. — Os Estados Unidos e Israel decidiram lançar operações militares fora do direito internacional, que não podemos tolerar — declarou Macron em pronunciamento no Palácio do Eliseu. — A história nunca lamenta os algozes de seu povo. Nenhum será lamentado. A mensagem foi clara: a Europa não ficará passiva diante de ameaças às rotas marítimas que abastecem o continente. Além do reforço naval, Macron confirmou que a França honrará acordos de cooperação militar com países do Oriente Médio atingidos por bombardeios iranianos, oferecendo proteção contra mísseis e drones. O foco imediato, porém, é o mar. O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e é rota vital para exportações energéticas de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait. Qualquer bloqueio ou ataque a navios-tanque teria impacto direto no preço global do petróleo. A proposta francesa envolve patrulhas conjuntas, coordenação entre marinhas europeias e monitoramento ampliado da atividade iraniana no Golfo. Em movimento simultâneo, Macron lançou as bases para uma “dissuasão avançada” em escala europeia a partir da base nuclear de Île Longue, na Bretanha. Galerias Relacionadas O plano prevê desdobramentos ocasionais de capacidades estratégicas francesas em países aliados — como Alemanha, Polônia e Reino Unido — mantendo, contudo, controle decisório exclusivo de Paris. — Para ser livre, é preciso ser temido — resumiu o presidente francês. A França é hoje a única potência nuclear plenamente autônoma da União Europeia. O Reino Unido, embora possua arsenal próprio, depende tecnicamente dos Estados Unidos para manutenção e suporte logístico do sistema Trident. A guerra dos mares também expôs fissuras na relação transatlântica. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, inicialmente proibiu o uso da base de Diego Garcia, no Oceano Índico, para ataques contra o Irã. Após pressão de Donald Trump, Londres autorizou o uso em caráter “defensivo”. Já a Espanha recusou permitir que aviões-tanque americanos operassem a partir das bases de Rota e Morón para a ofensiva contra Teerã. O premiê Pedro Sánchez classificou a operação como “injustificada e contrária ao direito internacional”. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, por sua vez, rejeitou aderir ao pilar europeu de defesa proposto por Paris.