Kate Moss: it girl aos 52 anos

O maior hit da semana de moda de Milão, Outono/Inverno 2026, foi Kate Moss, 52 anos, fechando o desfile da Gucci. Não escrevo sobre moda, você sabe, e sim sobre comportamento feminino. Logo, a confiança, o charme e a plenitude da veterana Moss, 50+, são os desejos da estação por aqui. Mas, assim, o vestido usado por ela também fez o meu coração bater mais forte. Se eu seguraria o look? Não. Porém, fantasio. E por anos. É um modelo original de 1997, da época em que Tom Ford era o diretor criativo da maison. A peça foi recentemente trajada e postada por influenciadoras como Hailey Bieber, que, aliás, tinha um ano de idade quando o icônico vestido foi lançado. Na época, Moss tinha 23 anos e quase dez anos de carreira, e estava em todos os jornais, revistas e sites do mundo, como referência de beleza e estilo. Estampou mais de 40 capas de Vogue. Foi a capa da Vogue Brasil na celebração dos 36 anos da revista e também colaborou para a Vogue inglesa como editora de estilo convidada. Um estouro, diriam as 60+. Kate Moss era perseguida por paparazzis. Cada flash, um look, e de um jeito que só ela sabia (e sabe) vestir. Coleção ia, coleção vinha, ela permanecia, permanece. Kate Moss só fortaleceu a majestade com o tempo. Tinha e tem algo que ninguém tira dela: uma personalidade autêntica. Era referência, IT GIRL, mesmo sendo uma desinfluencer no quesito comportamento. Vivia de excessos, quase sempre sob uma névoa de fumaça de cigarros. As revistas e marcas de moda não a perdiam de vista, os tabloides britânicos também. Era a modelo com o estilo de vida de rockstar, celebrada. Todas as marcas a queriam. Ela tinha uma relação estreita com a música, participava de clipes, badalava com músicos mais novos que ela, curtia sem fim. E assim foi até que em 2005 publicaram fotos dela com ilícitos e o namorado da época, Pete Doherty, vocalista de uma (ótima) banda de rock, a The Libertines. O nome da banda dizia muito. Acabou o namoro, cessaram os contratos, extinguiu-se a banda. Kate seguiu. A imagem ficou um tantinho arranhada, nada grave. Ela saiu de cena por um tempo, algo que só os inesquecíveis podem se dar o luxo de fazer. Já era ícone, ainda é. O brilho não foi ofuscado. Moss visitou o Brasil algumas vezes. Em 1999, desfilou para a Ellus. Em 2011, posou para a já citada capa da Vogue Brasil. Em 2013, estava em São Paulo como embaixadora do leilão beneficente da amFar, uma organização internacional sem fins lucrativos, dedicada a apoiar pesquisas sobre HIV/AIDS. Na ocasião, ela leiloou um beijo na boca, arrematado por US$ 50 mil por um empresário paulistano. Kate Moss retorna à passarela no desfile da Gucci Getty Images Hoje em dia, provavelmente, a ação não faria o sucesso de outrora. Kate Moss, penso eu, a realizaria ainda assim. É o oposto do politicamente correto. E não precisou cruzar os 50 anos para dispensar as opiniões alheias sobre a própria vida. Sem beijinho no ombro, ou lacração, sempre seguiu em frente, com a mesma cara (linda e inabalável) que apresentou no desfile da Gucci, literalmente, fechando o show, com boa parte do bumbum de fora. Sabendo do enredo de Moss, é natural questionar: como uma jovem livre e sem regras virou uma mulher de 50 anos aparentemente saudável, linda e ativa? Ela deu a resposta para a Vogue França, em 2022, aos 48 anos, “Eu simplesmente não tenho mais vontade de me destruir”, disse. A modelo também contou que por volta dos 40 começou a fazer retiros de bem-estar, exercícios de presença plena, a cuidar da alimentação e a praticar yoga. Porque milagres até existem. Mas são milagres. Para envelhecer com saúde é preciso cuidar da saúde. O estilo de vida saudável ainda motivou Kate a viver novidades. Ela empreendeu no mercado de bem-estar. A marca Cosmoss, que brinca com a palavra Cosmos, trazendo os dois “esses” de Moss ao final, tem quatro anos. É vegana, diferentemente de Kate, e tem uma linha enxuta de chás, óleos, sabonetes e cremes, um mix de cosmetologia, fitoterapia, aromaterapia e homeopatia para cuidar da beleza, da mente e da alma. Não sei se funciona, mas celebro. Porque torço por mulheres com coragem de viver o novo e por histórias felizes. E essa parece ser uma delas. Em tempos de over exposição, Kate Moss é discreta. Ser mais do mesmo parece nunca ter sido uma opção aceitável para ela. Daí o brilho jamais ofuscar. Eu deixo o meu viva. Vem junto?