Em meio às discussões sobre os chamados penduricalhos salariais, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, ventilou nos bastidores a possibilidade de elevar o teto do funcionalismo público. Pessoas que acompanham as tratativas revelaram a informação ao jornal O Globo . Diante de decisões de colegas sobre pagamentos acima do teto, Fachin reuniu representantes do governo e do Congresso para buscar alternativas. Nessas conversas, surgiu a hipótese de reajustar o teto, embora não tenha sido apresentada proposta formal. Hoje, o limite corresponde ao salário de um ministro da Corte, de R$ 46,3 mil. + Leia mais notícias de Política em Oeste A justificativa seria recompor perdas salariais e, assim, reduzir manobras para driblar o limite. Interlocutores, porém, alertaram para o risco de desgaste político da medida em ano eleitoral. Reunião entre presidentes de Poderes em meio à discussão de penduricalhos; encontro ocorreu no STF - 24/2/2026 | Foto: Rosinei Coutinho/STF O teto vem sendo frequentemente ultrapassado por diferentes categorias, sobretudo do Judiciário , por meio de verbas classificadas como indenizatórias. O debate ganhou força depois de decisões dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes que suspenderam pagamentos dessa natureza sem respaldo legal. O tema tornou-se prioridade no STF e divide espaço com outros episódios que expuseram a Corte a críticas, como o caso do Banco Master e a resistência interna à criação de um código de ética para a magistratura. Segundo relatos ouvidos pelo O Globo , uma eventual elevação do teto teria impacto imediato nas despesas públicas, ao reduzir o chamado “abate-teto” — mecanismo que corta valores acima do limite. O Ministério da Gestão e Inovação (MGI) é contrário à proposta. Ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil Outra alternativa discutida é a criação de um subteto para verbas indenizatórias, medida que, apesar de parecer moralizadora, pode resultar em aumento de pagamentos onde hoje há maior contenção. No Executivo, a principal proposta, liderada pelo Ministério da Fazenda — também contrário à elevação do teto —, é estabelecer em lei nacional uma lista restrita de situações em que seriam permitidos pagamentos acima do limite. STF adiou julgamento sobre penduricalhos para final de março Sem consenso na última semana, o julgamento no plenário do STF sobre as decisões de Dino e Mendes foi adiado para 25 de março. Até lá, busca-se uma saída para o impasse, que provoca reações corporativas intensas, mas também recebe apoio de quem defende o fim dos privilégios. Penduricalhos são benefícios extras que podem ultrapassar o teto constitucional | Foto: Reprodução/Freepik Na última terça-feira, 3, Fachin instituiu, por portaria, uma comissão com representantes dos três Poderes para debater, em seis reuniões, propostas sobre o cumprimento do teto e regras de transição para os penduricalhos. Em nota, a Corte afirmou que “a medida parte do reconhecimento de que a decisão sobre a constitucionalidade do pagamento das verbas acima do teto é de competência exclusiva do STF, mas o grupo tem como objetivo unir esforços conjuntos entre os Três Poderes para a apresentação de uma solução definitiva, que passe tanto pela edição de uma lei nacional, quanto pela manutenção da responsabilidade fiscal”. O post Fachin cogita elevar teto do funcionalismo como solução para penduricalhos apareceu primeiro em Revista Oeste .