Entenda a acatisia, reação pouco conhecida enfrentada por Monica Iozzi

Uma semana após ser hospitalizada em São Paulo, Monica Iozzi reapareceu nas redes sociais para tranquilizar os seguidores e contar o que enfrentou. A atriz precisou de atendimento no Hospital Israelita Albert Einstein e, em seguida, seguiu tratamento no Hospital Oswaldo Cruz devido a uma reação medicamentosa intensa chamada acatisia. A condição a obrigou a cancelar sua participação no quadro Lip Sync, do programa "Domingão com Huck", apresentado por Luciano Huck. Entenda: Como a experiência de Maiara com a queda de cabelo desperta reflexão sobre autoestima e empatia Abdominoplastia, lipo e mastopexia: saiba como funcionam os procedimentos feitos pela mãe de Virgínia Fonseca "Tive um quadro de afasia. É um quadro em que você tem uma reação a um remédio e o seu corpo não responde. É uma coisa muito louca", desabafou Monica, compartilhando a experiência que chamou atenção para uma condição ainda pouco conhecida fora do meio médico. Monica Iozzi contou experiência com acatisia e alertou sobre efeitos de remédios psiquiátricos Reprodução Instagram Para a psiquiatra Thaíssa Pandolfi, a acatisia pode ter impactos devastadores. "A acatisia é uma condição ainda pouco compreendida fora da psiquiatria, mas que pode ser extremamente angustiante para quem a vivencia. Trata-se de um efeito adverso relativamente conhecido de alguns medicamentos psiquiátricos, especialmente antipsicóticos e, em alguns casos, antidepressivos, caracterizado por uma sensação intensa de inquietação interna associada à necessidade quase irresistível de se mover", explica. Segundo a médica, o sofrimento vai muito além de uma simples agitação. "Na prática clínica, pacientes descrevem a experiência como uma incapacidade de permanecer no próprio corpo. Não é apenas ansiedade ou agitação, é uma sensação corporal profunda de desconforto, frequentemente acompanhada de irritabilidade, tensão e sofrimento psíquico significativo", detalha. Quando casos como o de Monica ganham projeção pública, ajudam a ampliar a compreensão de um quadro que muitas vezes passa despercebido. "Um dos grandes desafios é que a acatisia pode ser confundida com ansiedade ou com agravamento do transtorno psiquiátrico original, o que, em alguns casos, leva a ajustes inadequados na medicação", diz a especialista. A atenção se torna ainda mais delicada quando envolve mulheres e pessoas neurodivergentes. "Nas mulheres, especialmente aquelas com maior sensibilidade emocional ou neurodivergência, esse quadro pode ser ainda mais difícil de reconhecer, porque a inquietação interna pode ser interpretada como desregulação emocional ou crise de ansiedade", destaca. Para a Dra. Thaíssa, a abordagem adequada passa pela escuta individualizada. "Reconhecer precocemente a acatisia permite ajustar o tratamento e aliviar um sofrimento que, embora muitas vezes invisível para quem observa de fora, pode ser profundamente perturbador para quem o vive", conclui.