O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou a prisão preventiva de quatro investigados na chamada Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema bilionário envolvendo o Banco Master, e criticou a posição da Procuradoria-Geral da República (PGR), que pediu mais prazo para analisar o caso mesmo após ter tido três dias para se manifestar. Na decisão, Mendonça afirmou que o Ministério Público teve 72 horas para analisar os autos, prazo concedido após o envio do pedido da Polícia Federal. Ainda assim, a Procuradoria, comandada por Paulo Gonet, solicitou a ampliação do prazo alegando que o período seria insuficiente diante da complexidade do caso. Segundo a PGR, a investigação envolve dez pessoas físicas e cinco pessoas jurídicas, além de pedidos de medidas consideradas graves, como prisões preventivas e outras cautelares. Por isso, o órgão afirmou que o prazo concedido seria “exíguo” e que não identificou, naquele momento, risco iminente que justificasse a adoção imediata das medidas. Mendonça, no entanto, rejeitou o pedido e decidiu analisar imediatamente os requerimentos apresentados pela Polícia Federal. O ministro também criticou a avaliação da Procuradoria de que não haveria urgência para a adoção das cautelares. Na decisão, o magistrado afirmou que "lamenta-se" a posição da PGR e declarou que os autos indicam indícios robustos da prática de crimes graves e de continuidade das atividades ilícitas investigadas. "Lamenta-se (i) porque, as evidências dos ilícitos e a urgência para adoção das medidas requeridas estão fartamente reveladas na representação da Polícia Federal e no curso desta decisão; conforme documentado nos autos, também (ii) porque se está diante da concreta possibilidade de se prevenir possíveis condutas ilícitas contra a integridade física e moral de cidadãos comuns, de jornalista e até mesmo de autoridades públicas", escreveu Mendonça. Para ele, adiar a análise poderia representar risco à investigação e à segurança de pessoas envolvidas no caso. "Tempus fugit e, no caso específico destes autos, a demora se revela extremamente perigosa para a sociedade", disse ainda o ministro. De acordo com Mendonça, as investigações apontam a existência de uma estrutura criminosa com capacidade de interferir nas apurações, acessar informações sensíveis e intimidar pessoas consideradas adversárias do grupo. Nos bastidores, integrantes da PGR sustentam que o prazo de 72 horas citado por Mendonça foi aberto na sexta-feira, chegou à PGR no sábado, e envolvia a manifestação somente sobre mandados de busca e apreensão cumpridos nesta manhã. A avaliação foi a de que o material era extenso e o caso complexo - assim, por não haver, até aquele momento, investigados presos, não havia necessidade de o prazo contar durante o fim de semana. Já a representação pelas prisões teria sido apresentada na segunda, com o prazo de 24 horas para que o Ministério Público Federal desse seu parecer. Na decisão, o ministro autorizou a prisão preventiva de quatro investigados apontados pela Polícia Federal como integrantes centrais do esquema: o controlador do Banco Master, Daniel Bueno Vorcaro, o operador financeiro Fabiano Campos Zettel, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. Segundo a PF, os investigados teriam organizado uma estrutura criminosa voltada à prática de crimes contra o sistema financeiro nacional, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça. A investigação também aponta a existência de um núcleo responsável por monitoramento e intimidação de adversários do grupo, incluindo jornalistas e autoridades, além de tentativas de acesso indevido a sistemas sigilosos de órgãos públicos.