BC vai analisar novas informações sobre relação de servidores com Vorcaro em investigação interna e deve enviar caso à CGU

Com a terceira fase da Operação Compliance Zero e os apontamentos da Polícia Federal sobre os dois funcionários do Banco Central, o órgão vai analisar as novas revelações e definir com a Controladoria-Geral da União (CGU) quais os próximos passos administrativos a serem tomados. A tendência é que os processos sejam remetidos à CGU, que já vinha acompanhando a sindicância interna que havia sido aberta pelo BC. Com os indícios apontados pela PF de recebimento de vantagens indevidas por Belline Santana e Paulo Sergio Neves de Souza, respectivamente ex-chefe e adjunto do departamento de supervisão do banco, a tendência de abertura de um processo administrativo (PAD), cujo desfecho pode ser a demissão dos servidores em definitivo, entre outras sanções. A decisão de hoje do ministro André Mendonça reforça o afastamento prévio dos servidores definido pelo BC entre dezembro e janeiro e os proíbe de acessar as dependências do banco. Os relatos mostram que além da crise de um banco, séria por si só, a autoridade monetária estava tendo que lidar com os mecanismos de influência indevida que marcaram a atuação de Vorcaro nos últimos anos em seus servidores mais graduados. “Descrevemos o relacionamento ilícito entre o banqueiro DANIEL VORCARO e os servidores do Banco Central PAULO SÉRGIO e BELLINE SANTANA, bem como os graves indícios de recebimento mensal de vantagens indevidas, que ocorria, principalmente, por meio da estrutura de lavagem de dinheiro orquestrada com o auxílio de LEONARDO AUGUSTO FURTADO PALHARES, responsável pela empresa VARAJO CONSULTORIA EMPRESARIAL SOCIEDADE UNIPESSOAL LTDA”, diz a PF em trecho que consta do despacho de Mendonça. A peça aponta ainda que a Polícia Federal encontrou “elementos investigativos indicando que Paulo Sérgio intermediava ou auxiliava em tratativas relacionadas a operações societárias e financeiras de interesse do grupo econômico, chegando a mencionar potenciais interessados na aquisição de instituição financeira vinculada ao conglomerado e atuando como canal de comunicação informal entre o investigado e possíveis interlocutores do mercado”. A orientação aos bancos, formal e informal, é parte da rotina do BC, mas o que as investigações sugerem é que isso estava indo além da rotina do trabalho. “Em contrapartida à atuação descrita, há indícios de que PAULO SÉRGIO tenha recebido vantagens indevidas associadas aos interesses defendidos junto à instituição financeira investigada, as quais teriam sido operacionalizadas por meio de mecanismos indiretos e estruturas financeiras destinadas a ocultar a natureza ilícita dos pagamentos”, informa a peça. O documento diz que “outro forte indício de que VORCARO corrompia PAULO SÉRGIO” fica evidenciado em uma troca de mensagens entre eles em que falam de uma viagem do funcionário do BC à Disney com a família. “VORCARO chega a comentar em mensagem reproduzida na fl. 54 que precisaria “arrumar guia pra essas pessoas”. E em seguida, aciona pessoa específica para providenciar o serviço em questão”, conta o documento. Nas mensagens de WhatsApp, a PF relata ao ministro do STF que Vorcaro mostra relação similar com Belline Santana. “BELLINE também atua como uma espécie de empregado/consultor de VORCARO em relação a temas do. BELLINE, por exemplo, também foi instado por VORCARO a emitir opinião sobre um ofício que o Banco Master enviaria ao Departamento que ele próprio chefiava no BACEN”, diz o documento.