A investigação da Polícia Federal sobre o suposto esquema ligado ao Banco Master aponta a existência de quatro núcleos, com funções específicas, dentro da estrutura crimionosa. A divisão foi descrita na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), com base na representação apresentada pela PF. Núcleo financeiro Responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro, incluindo a captação de recursos e a movimentação financeira do grupo. Segundo a investigação, o núcleo seria liderado por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, apontado como principal articulador das estratégias financeiras da organização. Também integra esse núcleo, de acordo com as investigações, o pastor e empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, descrito como operador financeiro responsável por viabilizar transferências e estruturar instrumentos contratuais usados nas operações investigadas. Núcleo de corrupção institucional Voltado à cooptação de servidores públicos do Banco Central, que, segundo a PF, teriam atuado em favor dos interesses do banco investigado. A decisão aponta a participação de dois servidores da área de supervisão bancária da autarquia, Paulo Sérgio Neves de Souza, então chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) e Belline Santana, que ocupava cargo de chefia no mesmo departamento. Procurados, eles não se manifestaram. Segundo a investigação, os servidores teriam fornecido orientações estratégicas ao controlador do banco, revisado documentos que seriam enviados ao próprio Banco Central e antecipado informações sobre processos administrativos e movimentações identificadas pelos sistemas de monitoramento da autarquia. Núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro Responsável por ocultar a origem e movimentar recursos obtidos no esquema, utilizando empresas e estruturas societárias para disfarçar pagamentos e transferências financeiras. Entre os investigados ligados a esse núcleo está Leonardo Augusto Furtado Palhares, apontado como responsável por formalizar contratos usados para dar aparência de legalidade a pagamentos relacionados ao grupo. Também aparece vinculada a essa estrutura Ana Claudia Queiroz de Paiva, que teria atuado na operacionalização de transferências financeiras e na gestão de pagamentos associados às atividades da organização. De acordo com a decisão, diversas empresas teriam sido utilizadas como intermediárias para movimentação de recursos e formalização de contratos fictícios. Núcleo de intimidação e obstrução de Justiça Responsável pelo monitoramento de adversários, coleta de informações e ações de intimidação contra pessoas consideradas prejudiciais aos interesses do grupo. Esse núcleo seria coordenado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado nas comunicações como “Felipe Mourão” e apelidado de “Sicário”. A investigação aponta que ele comandava uma estrutura informal chamada “A Turma”, utilizada para realizar atividades de vigilância, obtenção de informações e monitoramento de pessoas ligadas às investigações ou críticas ao grupo. Também é citado como integrante desse núcleo o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, que teria atuado na coleta de dados e na realização de atividades de vigilância e monitoramento de alvos definidos pela organização.