Afastado por suspeita de fraude: prefeito de Macapá agrediu jornalistas ao ser questionado sobre obra em hospital

Afastado nesta quarta-feira do comando da prefeitura de Mapacá, Dr. Furlan (PSD) agrediu uma equipe de jornalistas em agosto do ano passado ao ser questionado sobre o andamento da construção do Hospital Geral Municipal da cidade. A execução da obra é alvo de investigação da Polícia Federal, que apura um esquema de fraude em licitações firmadas pela Secretaria Municipal de Saúde. Em função das investigações, o prefeito e o vice, Mário Neto (MDB), deverão permanecer afastados dos cargos pelos próximos 60 dias. No ano passado, durante uma vistoria ao local, o prefeito tentou aplicar um mata-leão em um dos integrantes do grupo que acompanhava o jornalista Heverson Castro, do Portal Amapá. Na ocasião, Heverson se aproximou de Furlan pedindo uma entrevista e o prefeito o questionou se a conversa era "coisa séria". — O senhor lançou essa obra em 2023. O que está acontecendo? Porque a gente já está em 2025, e essa obra está demorando. E aí, prefeito? Está demorando ou está dando prazo à obra? — questionou o repórter. Furlan riu e seguiu andando, mas Herverson insistiu na pergunta. Em seguida, o prefeito foi em direção ao cinegrafista Iran Froes, que registrava o momento e fazia parte da equipe de Heverson, e tentou aplicar um mata-leão, mas foi afastado por outros que o cercavam. O grupo também tentou remover o celular de Froes, mas não teve sucesso. Após o ocorrido, o repórter e o cinegrafista também foram detidos pela Guarda Municipal. Veja o vídeo:  Prefeito de Macapá agride grupo de jornalistas durante agenda  À época, a prefeitura disse, em nota, que "o blogueiro Heverson Castro, acompanhado de dois outros indivíduos, identificados como Marshal e Iran Froes, interrompeu a atividade oficial, agrediu verbalmente o prefeito e ainda tentou agredi-lo fisicamente". No comunicado, também foi informado que duas servidoras foram agredidas e prestaram ocorrência na Delegacia da Mulher. Entenda a investigação da PF Intitulada "Operação Paroxismo", a segunda fase da ação policial cumpriu nesta quarta-feira mandados expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o afastamento dos servidores públicos investigados por um prazo de 60 dias. Há 13 mandados de busca e apreensão sendo cumpridos nas capitais Macapá, Belém (PA) e Natal (RN). Segundo a PF, há indícios de existência de um "esquema criminoso" que envolve agentes públicos, como Furlan e Mario Neto, e empresários. O objetivo é direcionar licitações, desviar recursos públicos e lavar dinheiro no projeto de engenharia e de execução das obras do Hospital Geral Municipal da cidade. Na primeira fase da operação, deflagrada em setembro do ano passado, a polícia também informou que o esquema envolvia o pagamento de propinas. Conforme as investigações, o contrato para as obras no hospital, formalizado em maio de 2024, foi firmado por R$ 69,3 milhões. Em suas redes sociais, o prefeito afastado publicou um vídeo para anunciar, "diante dos últimos acontecimentos", sua pré-candidatura ao governo do Amapá. Sem citar a operação, ele alegou estar sendo alvo de "ataques e perseguições". — Tudo que a gente esperava está acontecendo. Ataques, perseguições, atrasos. Mas eles não estão indo contra o Furlan, estão indo contra a vontade do povo e da população de Macapá. Diante disso, quero reafirmar que sou pré-candidato ao governo do Amapá — anunciou. Saiba quem é Dr. Furlan Reeleito em 2024 com o maior percentual de votos entre os prefeitos das capitais (85,08%), Furlan tem a pretensão de ser candidato em outubro deste ano, com uma candidatura de oposição ao atual governador Clécio Luis (União Brasil). O mandatário deverá disputar a reeleição e tem o aval do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP). Furlan esteve em Brasília ontem, na véspera da operação, para anunciar sua filiação ao PSD, presidido por Gilberto Kassab. Nas redes sociais, ele publicou um vídeo ao lado do líder partidário, que o chamou de "prefeitão" e disse estar "muito feliz" em recebê-lo na sigla. — Você, prefeitão, meu querido Furlan, é muito bem-vindo no PSD. Um partido que já está ao seu lado na sua extraordinária gestão à frente da prefeitura de Macapá. Uma pessoa com a sua qualificação faz o PSD se sentir muito honrado e valorizado em ter como filiado alguém com sua envergadura — disse Kassab a Furlan. Nascido na Costa Rica, onde seus pais moravam para estudar, ele se mudou em seus primeiros meses de vida para Belém. Na capital, Furlan se formou em Medicina na Universidade Federal do Pará. Nos anos seguintes, ele se estabeleceu profissionalmente como médico no Amapá e disputou eleições pelo estado desde 2010. Foi eleito pela primeira vez deputado estadual em 2014, e, em 2020, venceu a disputa pela prefeitura da capital e foi reeleito quatro anos depois.