Bruno Felipe dos Santos Allegretti, de 18 anos, se entregou nesta quarta-feira na 54ª DP (Belford Roxo) no início da tarde desta quarta-feira. Ele é o último dos acusados de estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos a se apresentar à polícia.. Ele e mais três maiores de idade foram indiciados pela 12ª DP (Copacabana) por estupro qualificado em concurso de pessoas e cárcere privado contra uma adolescente de 17 anos, no dia 31 de janeiro, em Copacabana. Com a apresentação de Allegretti à polícia, todos os maiores envolvidos no caso estão presos. Entenda o caso A investigação que começou com o estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos, em um apartamento em Copacabana, ganhou novas frentes. A Polícia Civil do Rio agora apura três casos distintos de violência sexual ligados, ao menos em parte, ao mesmo grupo de jovens da Zona Sul. A revelação da terceira denúncia foi feita pelo delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP (Copacabana). Segundo ele, trata-se de uma vítima menor de idade, aluna do Colégio Pedro II, que relatou ter sido abusada em outubro do ano passado, durante uma festa organizada pela escola. — Um dos casos já teve registro de ocorrência, no qual a adolescente relatou ter sido vítima de abuso por três homens. Dois deles eram do grupo identificado no caso de Copacabana. O terceiro suspeito ainda não se sabe se integra esse mesmo grupo. Agora, outra vítima procurou a delegacia para registrar o caso. Evidentemente, a investigação ainda está em estágio inicial, e é preciso cautela. Vamos trabalhar de forma técnica para apurar a conduta de cada um. Portanto, é necessário reunir provas para subsidiar a investigação — pontuou o delegado Angelo Lages, titular da 12ª DP. No depoimento prestado na delegacia, a jovem de 17 anos que sofreu um estupro coletivo no dia 31 de janeiro, em Copacabana, detalhou uma série de agressões físicas durante o episódio. No inquérito da Polícia Civil do Rio, ela afirmou que, após a entrada dos outros rapazes no quarto, passou a levar tapas e socos em diferentes partes do corpo. Ao concluir a investigação, a 12ª DP (Copacabana) indiciou Bruno Felipe dos Santos Allegretti, Vitor Hugo Oliveira Simonin, Mattheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho por estupro qualificado cometido em concurso de pessoas. Em depoimento, a vítima declarou que, em determinado momento dentro do apartamento, foi segurada pelos cabelos e forçada a praticar atos contra a própria vontade. Também relatou que o menor de idade que a convidou para o apartamento lhe deu um chute na região abdominal e que os outros quatro envolvidos a impediram de deixar o quarto quando manifestou intenção de ir embora, fechando a porta do cômodo. Ainda conforme o depoimento, as agressões continuaram mesmo após ela afirmar que estava "cansada" e pedir para que parassem. Segundo a adolescente, o menor de idade chegou a questionar se a mãe dela a via sem roupas, e disse que ela "não podia vê-la assim porque estava com o corpo marcado e até sangrando". Ao sair do apartamento, a adolescente enviou um áudio ao irmão dizendo que acreditava ter sido estuprada. Em seguida, procurou a avó, com quem mora, e foi até a delegacia registrar ocorrência. O exame de corpo de delito anexado ao inquérito aponta a presença de múltiplas lesões, incluindo equimoses e escoriações na região dorsal e nas laterais do corpo, além de marcas na região glútea. O laudo também registra sangramento e descreve achados compatíveis com violência física recente. Com base nos depoimentos, nas imagens e nos laudos periciais, a autoridade policial concluiu pelo indiciamento dos quatro jovens por estupro com concurso de pessoas. O caso foi encaminhado ao Ministério Público, que decidirá sobre o oferecimento de denúncia. Segunda vítima A segunda vítima que procurou a polícia relatou ter sofrido o abuso em agosto de 2023. Na época, ela tinha 14 anos. Em depoimento à polícia, a mãe da jovem contou que o crime foi cometido por três homens, sendo dois deles já identificados no caso de Copacabana: o menor de idade que não teve sua identidade revelada e Mattheus Martins, de 19 anos. De acordo com o relato, a menina foi atraída para uma emboscada, assim como a outra vítima. Ela foi convidada para ir até a casa do menor e, ao chegar lá, tinha três pessoas na casa. — A vítima relata o mesmo modus operandi. Ela já tinha ficado com o menor, confiava nele e ele a atraiu para o imóvel, que era do Mattheus — detalha o delegado. Em depoimento, ela contou que foi para o quarto com o menor e os outros dois homens ficaram na sala. Enquanto ela estava beijando o adolescente, os outros homens batiam na porta. De acordo com o documento da polícia, o menor perguntou à vítima se os amigos podiam entrar e alegou que um deles pagaria o carro de aplicativo para ela voltar para casa depois, com o objetivo de coagi-la a abrir a porta. Depois disso, o menor teria tirado a roupa da vítima "contra sua vontade" e iniciado o abuso. O relato da jovem afirma que os demais homens abaixaram a calça e que Matheus teria dado um tapa no rosto da vítima e ordenado que ela fizesse sexo oral. Ela ainda afirmou que integrantes do grupo bateram em seu rosto e deram socos em suas costelas enquanto cometiam o estupro. Ela contou que o episódio durou cerca de 1h30. No depoimento, ela contou que chorou bastante durante todo o ocorrido e que os três "riam do que faziam". Já o terceiro caso envolve outra adolescente, que afirmou ter sido violentada durante uma festa escolar na Zona Sul, em outubro do ano passado. Conforme destacou Lages, a acusação, neste ponto, envolve apenas Vitor Hugo. Terceira vítima A terceira jovem que procurou a polícia foi ouvida pelos agentes na terça-feira. Ela acusou Vitor Hugo Oliveira Simonin de ter abusado sexualmente dela numa festa de alunos do Colégio Pedro II, num salão de festas no Humaitá, em outubro de 2025. O caso é investigado pela Polícia Civil. Possibilidade de novas vítimas Durante a entrevista, o delegado afirmou que a polícia trabalha com a possibilidade de surgirem outros relatos. As investigações sobre os novos episódios estão em estágio inicial. A polícia afirma que busca individualizar a conduta de cada investigado em cada caso. “Nesse curto espaço de tempo, já apareceram duas outras vítimas. Há relatos em redes sociais da existência de mais vítimas. A gente conta fortemente com essa possibilidade de que outras meninas que foram vítimas desse grupo, ou de um deles, compareçam à delegacia para trazer o relato do que aconteceu", disse o delegado, durante o programa Encontro com Patrícia Poeta, da TV Globo.