Quem são os quatro presos por estupro coletivo em Copacabana; veja o que se sabe sobre o caso

Os quatro homens indiciados pelo estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos, em Copacabana, estão presos após se entregarem à polícia entre terça e quarta-feira. O crime ocorreu no dia 31 de janeiro, na Zona Sul do Rio, e é investigado pela 12ª DP (Copacabana). O caso também envolve um adolescente de 17 anos, cuja situação tramita na Vara da Infância e da Juventude. Desde que as investigações vieram a público, outras duas possíveis vítimas procuraram a polícia para relatar episódios distintos. Diante dos novos desdobramentos, O GLOBO explica ponto a ponto o que se sabe até agora sobre a investigação. Quem são os presos Bruno Felipe dos Santos Allegretti, de 18 anos, se entregou na 54ª DP (Belford Roxo) no início da tarde desta quarta-feira. Ele é o último dos acusados de estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos a se apresentar à polícia. Os quatro suspeitos de ter participado do episódio foram indiciados por estupro coletivo qualificado — porque a vítima é menor de idade — e cárcere privado. São eles: Bruno Felipe dos Santos Allegretti e Vitor Hugo Oliveira Simonin, ambos de 18 anos, Mattheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho, que têm 19, podem pegar penas de até 18 anos de prisão. Na terça-feira, Mattheus Veríssimo Zoel Martins, de 19 anos, se apresentou na 12ª DP, acompanhado de advogado, e teve o mandado de prisão cumprido. No início da tarde, João Gabriel Xavier Bertho, também de 19 anos, se entregou na 10ª DP (Botafogo). Já nesta quarta-feira, Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, se apresentou na 12ª DP (Copacabana). Horas antes, o pai dele, José Carlos Simonin — então subsecretário de Governança, Compliance e Gestão da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos — foi exonerado do cargo. A decisão foi publicada no Diário Oficial após pedido da secretária Rosângela Gomes, encaminhado ao secretário da Casa Civil, Nicola Miccione. Segundo a pasta, a medida foi adotada para “resguardar a integridade institucional e assegurar a condução responsável dos fatos noticiados”. Também nesta quarta-feira, Bruno Felipe dos Santos Allegretti, de 18 anos, se entregou na Cidade da Polícia, no Jacarezinho, Zona Norte do Rio. Ele é estudante do curso de Bacharelado em Ciências Ambientais da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio). O que aconteceu no apartamento Segundo o relatório da 12ª DP, entre 19h24 e 20h42 do dia 31 de janeiro, câmeras de um prédio na Rua Ministro Viveiros de Castro, em Copacabana, registraram a entrada e a saída de quatro homens, um menor de idade e a vítima. De acordo com o inquérito, a adolescente foi atraída ao local por um jovem de 17 anos, com quem já havia tido um relacionamento. Por volta das 18h, ele enviou mensagem convidando-a para ir ao apartamento e sugeriu que ela levasse uma amiga. Como não encontrou ninguém, a jovem foi sozinha. Eles se encontraram na portaria do prédio e, no elevador, ela ouviu uma insinuação de que fariam “algo diferente”. Já no imóvel — que pertence à família de Vitor Hugo e era alugado por temporada — estavam Vitor Hugo e Mattheus. A presença de João Gabriel e Bruno também foi confirmada. A vítima relatou que, após ir para um quarto com o adolescente, os demais invadiram o cômodo. Inicialmente teriam feito comentários e assistido à cena. Em seguida, segundo o depoimento, passaram a tocá-la contra sua vontade. Mesmo após protestos, os quatro maiores de idade retornaram ao quarto e, conforme o relato, a situação evoluiu para uma sessão de violência sexual que durou cerca de uma hora. Ela afirmou ter sido agarrada pelos cabelos, obrigada a praticar atos contra a própria vontade e agredida com tapas, chutes e socos. Disse ainda que foi impedida de sair quando manifestou desejo de ir embora e que continuou sendo agredida mesmo depois de pedir que parassem. Ao deixar o apartamento, por volta das 20h25, enviou mensagem de áudio ao irmão dizendo que “achava que tinha sido estuprada”. Em casa, contou o ocorrido à avó, que a levou à delegacia naquela mesma noite. O exame de corpo de delito apontou múltiplas lesões, incluindo equimoses e escoriações na região dorsal e lateral do corpo, marcas na região glútea e sangramento na genitália, com achados compatíveis com violência física recente. O menor investigado O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) não pediu à Vara de Infância e Juventude da Capital a internação provisória de um adolescente, de 17 anos, envolvido no estupro coletivo de uma estudante, de 17 anos. O crime ocorreu no dia 31 de janeiro, em um apartamento localizado em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Segundo o MPRJ, no caso do adolescente, foi feita uma representação para que ele responda por ato infracional análogo ao crime investigado. Em nota, o órgão informou ainda que medidas cautelares podem ser requeridas no decorrer da investigação. Indagado sobre o motivo de não representar pela apreensão do menor, o órgão não respondeu. Apesar da existência de um pedido, feito pela 12ªDP (Copacabana), para a apreensão do adolescente, a lei veda, neste caso, a decretação de ofício pelo juízo competente sem uma representação do Ministério Público. A manifestação do MPRJ, pela não apreensão do adolescente de 17 anos, teria sido feita, segundo o portal G1, no último dia 2. Outros dois casos A Polícia Civil do Rio agora apura três casos distintos de violência sexual ligados, ao menos em parte, ao mesmo grupo de jovens da Zona Sul. A revelação da terceira denúncia foi feita pelo delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP (Copacabana). Segundo ele, trata-se de uma vítima menor de idade, aluna do Colégio Pedro II, que relatou ter sido abusada em outubro do ano passado, durante uma festa organizada pela escola. — Um dos casos já teve registro de ocorrência, no qual a adolescente relatou ter sido vítima de abuso por três homens. Dois deles eram do grupo identificado no caso de Copacabana. O terceiro suspeito ainda não se sabe se integra esse mesmo grupo. Agora, outra vítima procurou a delegacia para registrar o caso. Evidentemente, a investigação ainda está em estágio inicial, e é preciso cautela. Vamos trabalhar de forma técnica para apurar a conduta de cada um. Portanto, é necessário reunir provas para subsidiar a investigação — pontuou o delegado Angelo Lages, titular da 12ª DP. Segunda vítima A segunda vítima que procurou a polícia relatou ter sofrido o abuso em agosto de 2023. Na época, ela tinha 14 anos. Em depoimento à polícia, a mãe da jovem contou que o crime foi cometido por três homens, sendo dois deles já identificados no caso de Copacabana: o menor de idade que não teve sua identidade revelada e Mattheus Martins, de 19 anos. De acordo com o relato, a menina foi atraída para uma emboscada, assim como a outra vítima. Ela foi convidada para ir até a casa do menor e, ao chegar lá, tinha três pessoas na casa. — A vítima relata o mesmo modus operandi. Ela já tinha ficado com o menor, confiava nele e ele a atraiu para o imóvel, que era do Mattheus — detalha o delegado. Em depoimento, ela contou que foi para o quarto com o menor e os outros dois homens ficaram na sala. Enquanto ela estava beijando o adolescente, os outros homens batiam na porta. De acordo com o documento da polícia, o menor perguntou à vítima se os amigos podiam entrar e alegou que um deles pagaria o carro de aplicativo para ela voltar para casa depois, com o objetivo de coagi-la a abrir a porta. Depois disso, o menor teria tirado a roupa da vítima "contra sua vontade" e iniciado o abuso. O relato da jovem afirma que os demais homens abaixaram a calça e que Matheus teria dado um tapa no rosto da vítima e ordenado que ela fizesse sexo oral. Ela ainda afirmou que integrantes do grupo bateram em seu rosto e deram socos em suas costelas enquanto cometiam o estupro. Ela contou que o episódio durou cerca de 1h30. No depoimento, ela contou que chorou bastante durante todo o ocorrido e que os três "riam do que faziam". Já o terceiro caso envolve outra adolescente, que afirmou ter sido violentada durante uma festa escolar na Zona Sul, em outubro do ano passado. Conforme destacou Lages, a acusação, neste ponto, envolve apenas Vitor Hugo. Terceira vítima A terceira jovem que procurou a polícia foi ouvida pelos agentes na terça-feira. Ela acusou Vitor Hugo Oliveira Simonin de ter abusado sexualmente dela numa festa de alunos do Colégio Pedro II, num salão de festas no Humaitá, em outubro de 2025. O caso é investigado pela Polícia Civil. Possibilidade de novas vítimas Durante a entrevista, o delegado afirmou que a polícia trabalha com a possibilidade de surgirem outros relatos. As investigações sobre os novos episódios estão em estágio inicial. A polícia afirma que busca individualizar a conduta de cada investigado em cada caso. “Nesse curto espaço de tempo, já apareceram duas outras vítimas. Há relatos em redes sociais da existência de mais vítimas. A gente conta fortemente com essa possibilidade de que outras meninas que foram vítimas desse grupo, ou de um deles, compareçam à delegacia para trazer o relato do que aconteceu", disse o delegado, durante o programa. Atualmente, Mattheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho se entregaram à polícia. Bruno Felipe dos Santos Allegretti e Vitor Hugo Oliveira Simonin são considerados foragidos. O menor citado nas investigações aguarda manifestação da Vara da Infância e Juventude.