A cúpula da Câmara avalia que a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, aumentou a pressão no Congresso pela aprovação do projeto que cria um novo regime de resolução bancária no país e amplia os instrumentos de atuação do Banco Central em situações de crise no sistema financeiro. Diante da repercussão do caso, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou a interlocutores que a prioridade da pauta desta quarta-feira será a votação da PEC da Segurança, o que deve levar ao adiamento da análise da proposta sobre bancos em dificuldade. Nos bastidores, parlamentares passaram a defender mais tempo para discutir possíveis ajustes no texto, justamente por tratar de regras para lidar com instituições financeiras em crise. A avaliação é que a operação que atingiu Vorcaro ampliou a sensibilidade política do tema e reforçou a necessidade de examinar com mais cuidado pontos do projeto antes da votação. A proposta ganhou destaque nas últimas semanas após a crise envolvendo o banco Master, que expôs desafios na condução de intervenções e liquidações de instituições financeiras e reacendeu o debate sobre a necessidade de regras mais claras para atuação das autoridades em situações de instabilidade no sistema bancário. Relatado pelo deputado Marcelo Queiroz (PSDB-RJ), o projeto estabelece mecanismos para permitir intervenções mais rápidas em bancos em dificuldade, com o objetivo de reduzir riscos de contágio para o sistema financeiro e evitar impactos mais amplos na economia. A iniciativa cria instrumentos para reorganização de instituições em crise, absorção de prejuízos por acionistas e credores e adoção de soluções de mercado antes de eventual uso de recursos públicos. Embora o projeto esteja em tramitação no Congresso desde 2019, parlamentares e integrantes da equipe econômica passaram a tratar o tema como prioritário após a crise envolvendo o banco Master. Entre os pontos mais sensíveis da proposta estão as regras para eventual uso de recursos públicos em operações de socorro a instituições financeiras. Deputados têm levantado dúvidas sobre a retirada da exigência de lei específica do Congresso para autorizar aportes da União — regra prevista atualmente na Lei de Responsabilidade Fiscal — e defendem maior participação do Legislativo em decisões desse tipo. Outro foco de questionamento envolve o grau de autonomia dado ao Banco Central para conduzir processos de resolução, incluindo a possibilidade de impor perdas a acionistas e determinados credores antes de qualquer mobilização de recursos públicos. Parlamentares discutem ainda como ficaria a ordem de absorção de prejuízos e os impactos potenciais sobre investidores e sobre o próprio sistema financeiro. Nos bastidores, o relator tem se reunido com deputados e representantes do Banco Central para discutir ajustes pontuais no texto antes da votação. Ao GLOBO, Queiroz afirmou que recebeu sugestões de parlamentares, mas indicou que mudanças devem ser limitadas. — O cerne da proposta continuará o mesmo — disse. Com a prioridade dada à PEC da Segurança na pauta desta quarta-feira, a tendência é que a análise do projeto de resolução bancária fique para a próxima semana. No Senado, a expectativa é de que o texto seja votado em seguida, encerrando brevemente a tramitação.