A Polícia Civil do Rio prendeu um homem apontado como um dos maiores operadores de esquemas de pirâmide do país. Jonas Spritzer Amar Jaimovick foi detido por uma equipe da Delegacia de Defraudações, na Travessa do Paço, no Centro do Rio, nesta quarta-feira. De acordo com a polícia, Jaimovick é dono da empresa Spritzer Consultoria Empresarial Eireli, conhecida como JJ Invest, e teria orquestrado um esquema de Ponzi — popularmente conhecido como pirâmide financeira — que causou prejuízo de cerca de R$ 170 milhões a aproximadamente 3 mil investidores. Estupro coletivo: Quem é Vitor Hugo Simonin, terceiro preso pelo estupro coletivo de adolescente em Copacabana Golpes: Polícia prende chefe da facção 'Povo de Israel' em churrasco; grupo é especializado em golpes de falso sequestro e movimenta milhões de reais Segundo a investigação, a JJ Invest se apresentava como gestora de recursos e consultoria especializada no mercado brasileiro de ações. “A empresa se vendia aos clientes como uma gestora cujo método de investimento consistia em operações estruturadas, com risco zero, por meio de ‘day trade’”, informou a Polícia Civil. A Delegacia de Defraudações ouviu cerca de 60 vítimas e calculou prejuízo superior a R$ 30 milhões. A JJ Invest ganhou notoriedade nacional após patrocinar times de futebol. Segundo a polícia, alguns artistas e ex-jogadores também investiram no esquema e tiveram prejuízos significativos. Os responsáveis ofereciam rentabilidade mensal entre 10% e 15%. “Cabe ressaltar que o preso possui vasto histórico criminal, com registros por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, falsidade ideológica, estelionato, organização criminosa e crimes contra a ordem tributária, entre outros. Cumpridas as formalidades, ele foi encaminhado ao sistema penitenciário, onde ficará à disposição da Justiça”, informou a polícia, em nota. Quem é Jaimovick? Jaimovick é acusado de desaparecer com pelo menos R$ 170 milhões de cerca de 3 mil investidores, entre eles celebridades e esportistas, que acreditaram nas altíssimas rentabilidades oferecidas pela JJ Invest, uma gestora de investimentos irregular fundada por ele em Copacabana. A ascensão e queda do empresário é a história de como ele conquistou e traiu a confiança da comunidade judaica carioca, explorando relações que fizera desde a infância, e de como ampliou o esquema entre góis (como são chamados os não judeus na comunidade) imprimindo credibilidade ao negócio com uma estratégia que misturava publicidade agressiva e laços com artistas e atletas. Jaimovick era conhecido na comunidade judaica da Zona Sul do Rio. Ex-aluno do Colégio Liessin, frequentava o Clube Hebraica (onde se casou), a associação Beit Lubavitch do Leblon e eventos do movimento juvenil. Foi nesses círculos, em meados de 2016, que conseguiu os primeiros clientes e funcionários. A certa altura, ganhou acesso ao popular grupo de WhatsApp formado por homens da comunidade judaica, o Chaverim (“amigos”, em hebraico). Nele, passou a discorrer sobre o mercado financeiro e a JJ Invest, que prometia fazer render muito bem o dinheiro de clientes na Bolsa de Valores. A credencial se fortalecia conforme a JJ Invest honrava rendimentos mensais que superavam 10%. Paralelamente, patrocinava qualquer proposta de evento da comunidade que chegasse à sua mesa. A percepção era que, finalmente, Jaimovick havia se tornado bem-sucedido e sido aceito pelas camadas mais abastadas da comunidade judaica carioca. Em janeiro de 2019, após o GLOBO revelar que a empresa estava sendo investigada pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a JJ Invest sofreu uma corrida de clientes por resgate e não conseguiu honrá-los