Os 6 pontos que a decisão de Mendonça revelou sobre Vorcaro

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) , André Mendonça, retirou o sigilo da decisão que ordenou a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro nesta quarta-feira, 3. O documento, baseado em investigações da Polícia Federal (PF), expõe a estrutura da Operação Compliance Zero e revela como o banqueiro utilizava o grupo "A Turma" para monitorar desafetos e garantir seus interesses privados. + Leia mais notícia de Política em Oeste Confira os principais eixos revelados pela decisão: 1. O 'Sicário' e a 'mesada' de R$ 1 milhão Luiz Phillipi Mourão, apelidado de "Sicário", atuava como o coordenador operacional do grupo "A Turma". A PF identificou que Mourão recebia uma remuneração de R$ 1 milhão por mês para executar serviços ilícitos, incluindo monitoramento de pessoas e obtenção de dados sigilosos de plataformas do Ministério Público Federal, da Organização Internacional de Polícia Criminal e da própria PF. Em mensagens interceptadas, o "Sicário" explicava a Vorcaro que dividia o montante entre os integrantes da equipe. 2. Plano de atentado contra Lauro Jardim A decisão também detalha uma trama violenta contra o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo . Em diálogos pelo WhatsApp, Vorcaro manifestou o desejo de agredir o jornalista após a publicação de notícias contrárias aos seus interesses. O banqueiro ordenou expressamente: "Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto". Segundo Mendonça, o plano visava "calar a voz da imprensa". 3. Pagamentos de Vorcaro ao site DCM O inquérito aponta que a organização criminosa financiava influenciadores e veículos de comunicação para atacar a reputação do Banco Central. Nas mensagens sobre a divisão do repasse mensal de R$ 1 milhão, Mourão menciona o Diário do Centro do Mundo (DCM) e outros dois editores como beneficiários dos valores. O objetivo era construir um cenário de enfraquecimento das autoridades investigativas. Ao jornal Folha de São Paulo, a PF confirmou que o DCM citado na decisão de Mendonça é, de fato, o veículo de esquerda. https://www.youtube.com/shorts/K-US64HcKJ4 4. Corrupção no Banco Central e 'mimos' na Disney O documento ainda revela que dois altos funcionários do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, atuavam como "consultores privados" de Vorcaro dentro da autarquia. Eles revisavam minutas de ofícios que o próprio Banco Master enviaria ao BC. Como contrapartida, Vorcaro teria financiado vantagens indevidas, como a contratação de guias para uma viagem de Paulo Sérgio à Disney, em Orlando (EUA). 5. 'Sacode' em chefe e perseguição a empregada A agressividade do grupo atingia funcionários e prestadores de serviço. Vorcaro ordenou que Mourão desse um "sacode" (agressão física) em um chefe de cozinha ligado a um ex-funcionário para intimidá-lo. Ao se sentir ameaçado por uma empregada doméstica chamada Monique, o banqueiro determinou: "Tem que moer essa vagabunda." 6. Crítica contundente à PGR André Mendonça incluiu na decisão uma crítica direta à Procuradoria-Geral da República (PGR). O órgão havia pedido mais tempo para análise e afirmou não ver "perigo iminente" nas condutas. O ministro rebateu, afirmando que "a demora se revela extremamente perigosa para a sociedade", diante das evidências de planos contra a integridade física de jornalistas e autoridades. Ao defender a prisão de Vorcaro e outros membros do grupo "A Turma", o ministro ressaltou: "Verifica-se, ainda, a capacidade de influência institucional, em razão da condição pessoal ostentada pelos alvos das medidas." Leia também: "Vorcaro ocultou R$ 2,2 bi em conta do pai na Reag, diz PF" O post Os 6 pontos que a decisão de Mendonça revelou sobre Vorcaro apareceu primeiro em Revista Oeste .