Na casa, os policiais apreenderam uma faca e uma foice com marcas de sangue. Também foram encontrados sinais de arrombamento e manchas de sangue pelo chão. PMMT Um homem de 30 anos foi preso suspeito de tentar matar a companheira, de 24 anos, e o filho dela, na zona rural de Novo São Joaquim, a 448 km de Cuiabá, nesta terça-feira (3). A vítima foi agredida com socos, golpes de faca e de foice. O filho, um menino de 9 anos, também ficou ferido ao tentar defender a mãe. Segundo a Polícia Militar, a equipe foi acionada por moradores do distrito após denúncia de violência doméstica. Ao chegar ao endereço, os policiais encontraram a casa com as luzes apagadas e portas trancadas, mas ouviram gritos de socorro e choro de crianças. O suspeito abriu a porta e foi abordado. A mulher estava com um corte profundo acima da sobrancelha esquerda, o olho direito inchado e diversas marcas de agressão nos braços e mãos. Três crianças, de 2, 7 e 9 anos, estavam na residência. O filho mais velho apresentava lesões na nuca e nas costas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp Veja os vídeos que estão em alta no g1 A vítima contou aos militares que o suspeito arrombou a porta da casa e iniciou as agressões com uma faca, na frente das crianças. Em seguida, usou uma foice para continuar o ataque. A ferramenta quebrou durante a agressão, mas a mulher ainda foi atingida no rosto. O menino de 9 anos tentou defender a mãe e acabou agredido com o cabo da foice. A mulher relatou ainda que sofria ameaças constantes. Segundo ela, após o suspeito descobrir que a esposa conversava com familiares sobre deixar a casa e retornar para Barra do Garças, o homem tomou o celular dela e passou a agir com mais violência. Na casa, os policiais apreenderam uma faca e uma foice com marcas de sangue. Também foram encontrados sinais de arrombamento e manchas de sangue pelo chão. A vítima recebeu os primeiros atendimentos na unidade de saúde da Vila Itaquerê e depois foi encaminhada ao Hospital Municipal de Novo São Joaquim. O filho mais velho também passou por avaliação médica. As três crianças foram levadas ao Conselho Tutelar. O suspeito foi encaminhado à delegacia. Ele apresentava lesões no pulso e na mão direita, que, segundo a polícia, teriam ocorrido durante as agressões. Como pedir ajuda? Interface do aplicativo 'SOS Mulher MT' Reprodução O aplicativo 'SOS Mulher MT' é uma das alternativas criadas para ajudar vítimas de violência doméstica em Mato Grosso. O aplicativo conta com um botão do pânico, por meio dele a vítima pode fazer um pedido de socorro quando o agressor descumprir a medida protetiva. O Botão do Pânico virtual está disponível, por enquanto, nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres e Rondonópolis. Nos outros municípios do estado, a plataforma pode ser acessada para as outras funções, como direcionamento à medida protetiva online, telefones de emergência, endereços das Delegacias da Mulher, Plantão 24h, denúncias sobre violência doméstica e também acesso à Delegacia Virtual para registro de ocorrências. O que é a Lei Maria da Penha A Lei Maria da Penha foi sancionada em 7 de agosto de 2006 com o objetivo de criar mecanismos para prevenir e impedir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Segundo a Lei, a violência doméstica contra a mulher envolve qualquer ação baseada no gênero, ou seja, a mulher sofrer algum tipo de violência apenas pelo fato de ser mulher. O Instituto Maria da Penha aponta que essa violência pode ser dos seguintes tipos: Violência física: qualquer ação que ofenda a integridade ou a saúde corporal da mulher. Exemplos: espancamentos, estrangulamento, cortes, sacudidas, entre outros Violência psicológica: qualquer ação que cause dano emocional e diminuição de autoestima; prejudique e perturbe o desenvolvimento da mulher ou tente degradar e controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões. Exemplos: ameaça, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição, entre outros Violência sexual: qualquer ação que obrigue a vítima a presenciar, manter ou participar de relação sexual não desejada. Exemplos: estupro, impedir uso de contraceptivos, forçar prostituição, entre outros Violência patrimonial: qualquer ação que configure retenção ou destruição de objetos, instrumentos de trabalho, documentos, bens e valores da vítima. Exemplos: controle do dinheiro, destruição de documentos, estelionato, deixar de pagar pensão alimentícia, entre outros Violência moral: qualquer ação que configure calúnia, difamação e injúria. Exemplos: acusar a mulher de traição, expor a vida íntima, desvalorizar a vítima pelo seu modo de se vestir, entre outros O que é medida protetiva? As medidas protetivas são ordens judiciais que buscam proteger pessoas que estejam em situação de risco, perigo ou vulnerabilidade. São dois tipos: as voltadas para o agressor, para impedir que ele se aproxime da vítima; e as voltadas para a vítima, para garantir a sua segurança e a proteção dos seus bens e da sua família. Quem pode solicitar? Qualquer mulher que esteja passando por uma situação de violência doméstica e familiar, independente do tipo de ameaça, lesão ou omissão. Como solicitar medida protetiva? A solicitação da medida protetiva pode ser feita em delegacias, Ministérios Públicos ou na Defensoria Pública. A mulher não precisa estar acompanhada de um advogado para fazer o pedido.