O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e seu cunhado, Fabiano Zettel, foram transferidos na tarde desta quarta-feira da superintendência da Polícia Federal, em São Paulo, para o Centro de Detenção Provisória (CDP) II de Guarulhos, na região metropolitana da capital paulista. Não é a primeira vez que o banqueiro passa pelo presídio. Em novembro, ele esteve no local após ser preso na primeira fase da Operação Compliance Zero. Em inspeção em junho do ano passado, a Defensoria Pública identificou problemas de higiene no CDP II e relatos de alimentos estragados. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária informou em nota para O GLOBO no ano passado, no entanto, os problemas apontados foram apurados e considerados "improcedentes". A unidade em questão tem capacidade para 841 presos, segundo dados da Secretaria de Administração Penitenciária. A ala para detentos comuns tem capacidade para 553 detentos, sendo que 300 estavam custodiados no endereço no dia 3 de março Outra parte do presídio é destinada para os devedores de pensão alimentícia e está superlotada, com 288 vagas e 340 encarcerados. Relatório de inspeção da Defensoria Pública de São Paulo de junho de 2025 mostra a situação da estrutura da penitenciária. O local conta com oito pavilhões. Cada pavilhão tem oito celas, com capacidade para 12 presos. Eles se dividem da seguinte forma, segundo o relatório: Pavilhão 1: destinado a ex-integrantes de forças de segurança Pavilhão 2: destinado a presos midiáticos e formados em Direito Pavilhão 3: destinado a familiares de integrantes de forças de segurança Pavilhão 4: destinado a autores de feminicídio que tenham se destacado na mídia Pavilhões 5 a 7: destinado a presos civis Pavilhão 8: tratado como espécie de "seguro comum", para presos que não estão vinculados ao PCC, a chamada "oposição" CDP II de Guarulhos, na Grande SP Reprodução/ Relatório Defensoria Pública A unidade conta ainda com outros espaços, como a área de inclusão, destinada a presos recém chegados, com três celas, com capacidade para 27 pessoas cada, a área disciplinar, de trabalho e para presos em trânsito. O cardápio da unidade segue um padrão em que o café da manhã, servido às 6h, conta com leite, café, margarina e pão. No almoço, às 11h, e jantar, às 16h, são servidos arroz, feijão, uma porção de legume ou vegetal, uma proteína, e uma fruta. Um lanche noturno também é ofertado, sendo bolacha ou pão. Detentos relataram para a Defensoria que no local são servidos alimentos azedos, "especialmente o feijão e o leite. Raramente são servidos salada e suco e, a quantidade, no geral, não é suficiente". O banho de sol na unidade ocorre diariamente das 9h às 11h e das 13h às 16h. Na ocasião, os custodiados narraram também problemas com os produtos de higiene, e uma falta de sabonetes, além de infestações de ratos e percevejos. Os presos da unidade devem seguir o padrão de corte de cabelo e barba exigido pelo regimento interno da Secretaria de Administração Penitenciária, o que inclui a raspagem no pente número dois nas laterais da cabeça e número quatro na parte superior. Barba e bigode devem ser raspados. A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) afirmou que a Polícia Penal averiguou as denúncias e elas foram consideradas "improcedentes". Segundo a pasta, os serviços de manutenção, saúde, alimentação e fornecimento de itens básicos "seguem o planejamento previsto e são monitorados regularmente pelas equipes responsáveis". A SAP informou ainda que em 19 de novembro o CDP II recebeu ações de desinsetização e desratização "conforme cronograma de manutenção preventiva do estabelecimento prisional". Vorcaro foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeita de fraudes. A ordem foi expedida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em sua primeira decisão após assumir a relatoria do processo. O ministro autorizou a transferência de Vorcaro para penitenciária estadual. O empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, teve mandado de prisão expedido e se entregou à PF após não ser encontrado em casa. Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, tambem foi preso hoje. Ele é acusado de liderar um grupo que coletava informações de pessoas consideradas adversárias do Banco Master. A decisão de André Mendonça de mandar prender Vorcaro nesta quarta-feira é resultado de trocas de mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro, como antecipou o colunista Lauro Jardim. Foi um pedido d eprisão preventiva da PF. Vorcaro integrava um grupo de mensagens batizado de "A turma" em que eram planejadas ações violentas contra pessoas que ele considerava adversários — jornalistas, inclusive. O ministro André Mendonça afirmou haver indícios de que o banqueiro determinou que se forjasse um assalto, ou simulasse cenário semelhante, para “prejudicar violentamente” o colunista do GLOBO Lauro Jardim. O objetivo, diz Mendonça, era, a partir do episódio, “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”. A assessoria de Vorcaro divulgou um comunicado de que o empresário, no momento de sua prisão, afirmou que "jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto." Também diz que “sempre respeitei o trabalho da imprensa e, ao longo de minha trajetória empresarial, mantive relacionamento institucional com diversos veículos e jornalistas. Não me lembro de minhas conversas por telefone, mas, se em algum momento me exaltei em mensagens no passado, o fiz em tom de desabafo, em privado, sem qualquer objetivo de intimidar quem quer que seja. Jamais determinei ou determinaria agressões ou qualquer espécie de violência.” A nota termina dizendo que o empresário "segue colaborando com as autoridades competentes e confia que a análise completa das informações esclarecerá definitivamente as interpretações equivocadas que vêm sendo divulgadas." Em nota, a defesa de Zettel afirmou que seu cliente “está à inteira disposição das autoridades”.