A prisão do banqueiro Daniel Vorcaro foi confirmada em audiência de custódia realizada na tarde desta quarta, perante a Justiça Federal de São Paulo, e o dono do Banco Master já foi encaminhado para o Centro de Detenção Provisória de Guarulhos. Ele foi o alvo principal da terceira fase da Operação Compliance Zero, que mirou também seu cunhado, Fabiano Zettel, além de servidores do Banco Central e supostos integrantes de um ‘braço armado’ do grupo. O banqueiro deixou a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo por volta das 14h para passar pela audiência de custódia e após a conclusão do procedimento já seguiu para o CDP de Guarulhos - onde também ficou custodiado quando da primeira prisão na Compliance Zero. Ao decretar a prisão de Vorcaro, o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, destacou como a Polícia Federal identificou que o dono do Banco Master emitiu ordens diretas para atos de intimidação de concorrentes, ex-empregados e jornalistas. Os investigadores classificaram Vorcaro e os demais investigados presos nesta manhã como “profissionais do crime”. A defesa de Vorcaro afirmou, em nota, que o ex-banqueiro "colaborou de forma transparente com as investigações". Os advogados negam qualquer obstrução às investigações, assim como as imputações feitas pela PF ao banqueiro. Ao analisar o pedido, Mendonça ressaltou não só que os crimes sob suspeita envolvem “valores bilionários”, com “impacto potencial” no sistema financeiro nacional, mas frisou as evidências de tentativa de obtenção de informações sigilosas sobre investigações em andamento e monitoramento de autoridades. “E existem fortes indícios da existência de grupo destinado a intimidar adversários e a monitorar autoridades, o que revela risco concreto de interferência nas investigações”, completou. O ministro entendeu que a liberdade dos investigados comprometeria a investigação e a “confiança social” na Justiça. Segundo Mendonça, permitir a liberdade de Vorcaro e de seus aliados “significa manter em funcionamento uma organização criminosa que já produziu danos bilionários à sociedade”.