A comissão de Supervisão da Câmara dos Estados Unidos votou nesta quarta-feira a favor da intimação da secretária de Justiça, Pam Bondi, para depor sobre a atuação do Departamento de Justiça no caso contra Jeffrey Epstein e a polêmica divulgação de seus arquivos. A intimação ocorre em meio à crescente pressão de republicanos e democratas sobre a condução da investigação e a divulgação desorganizada de documentos pelo Departamento de Justiça, marcada pela ocultação de nomes de suspeitos de cumplicidade e pela exposição de nomes, fotos e dados pessoais de vítimas do criminoso sexual. Caso Epstein: E-mail sugere que financista tentou instalar câmeras ocultas em sua casa na Flórida 'Informações ocultadas': Parlamentares dos EUA acusam Departamento de Justiça de editar 'inadequadamente' arquivos de Epstein A votação, com 24 votos a favor e 19 contra, incluindo cinco republicanos e todos os democratas, representou um caso raro em que uma comissão liderada por republicanos obrigou um membro do Gabinete do presidente a depor. A moção foi apresentada pela deputada Nancy Mace, republicana da Carolina do Sul. Quando compareceu perante uma comissão do Congresso pela última vez, em fevereiro, Bondi obstruiu os democratas por cinco horas, ironizando os parlamentares democratas e se esquivando das acusações, além de exigir que os democratas pedissem desculpas ao presidente Donald Trump. Uma estratégia similar foi usada na primeira vez, em outubro, num depoimento que durou mais de quatro horas. Caso Epstein: Departamento de Justiça dos EUA removeu arquivos relacionados a Trump sobre abuso de menor, diz Rádio Pública Nacional Durante seu discurso de abertura, Bondi disse se estar "profundamente arrependida" pelo sofrimento das vítimas de Epstein, algumas das quais presentes na sessão. Sem pedir desculpas explicitamente pelos erros na divulgação dos arquivos, afirmou que o Departamento de Justiça retirou os documentos ao identificar o problema e que a equipe agiu "dentro do prazo legal". Uma lei de transparência, aprovada pelo Congresso e promulgada pelo presidente Trump após pressões do Partido Republicano, obrigou o Departamento de Justiça a publicar todos os documentos do caso Epstein. A legislação exigia manter sob sigilo os nomes ou outras informações pessoais identificáveis das vítimas de Epstein, que somavam mais de 1.000 segundo o FBI. Mas as figuras poderosas — incluindo políticos como Trump e vários magnatas empresariais — que eram próximas de Epstein não podiam ser protegidas, segundo a lei. Para os republicanos, o fiasco interminável de Epstein definiu o mandato da secretária. Entre as fileiras do Partido Democrata, também causa incômodo a forma com que a secretária apenas executa ordens de Trump — levando a frente casos duvidosos contra seus adversários, e agindo com menos energia quando se trata de medidas que desagradam o presidente, como nos casos de cidadãos americanos mortos durante protestos contra o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega). Caso Epstein: Saiba como acessar os 3,5 milhões de arquivos liberados pelos EUA sobre o criminoso sexual A atuação do Departamento de Justiça dos EUA a partir da obtenção dos documentos na investigação é alvo de críticas por parte de figuras de ambos os partidos, de ativistas e das vítimas por não ter levado ao indiciamento de nenhum suspeito de ter colaborado ou se beneficiado da suposta rede de tráfico sexual montada por Epstein — a exceção da principal cúmplice do magnata, Ghislaine Maxwell, que cumpre pena. Teorias sobre acobertamento se tornaram populares, sobretudo pelo perfil das pessoas citadas nos documentos. Com NYT.