A vereadora Fernanda Louback (PL) afirmou, nesta quarta-feira (4), que os episódios ocorridos na sessão da Câmara Municipal de Niterói que aprovou o título de cidadã niteroiense para a cantora Ludmilla vêm sendo divulgados “de forma parcial e descontextualizada”. A votação, realizada na terça-feira (3), terminou em bate-boca no plenário e foi marcada por declarações polêmicas da parlamentar. Lulinha: Defesa pede ao STF extensão de decisão de Dino que suspendeu quebra de sigilo aprovada pela CPI do INSS Master: Planalto parte para o ataque e quer vincular caso a Bolsonaro Em nota divulgada após a repercussão do caso, Louback sustenta que, enquanto utilizava “seu tempo regimental de fala”, a vereadora Benny Briolly (PSOL) teria feito “gestos de deboche” e gravações no plenário, além de manifestações consideradas provocativas. — Há registros em vídeo que mostram a vereadora realizando gravações no plenário, fazendo gestos de deboche e se manifestando de forma provocativa enquanto eu estava na tribuna — afirmou Louback. Segundo ela, outros parlamentares teriam advertido sobre a falta de respeito à oradora. A vereadora do PL também acusa Benny de ter passado à sua frente enquanto discursava e de ter proferido expressão ofensiva ao afirmar que ela estaria “latindo”, além de fazer gestos insinuando que a colega “fala demais”, mesmo após pedido de respeito. — Tais condutas extrapolam os limites do debate político e configuram comportamento incompatível com o respeito institucional que deve existir entre parlamentares — diz a vereadora. Na nota, Louback reafirma que seu posicionamento foi “estritamente político e legislativo”, no contexto da discussão sobre o cumprimento da legislação municipal. — O Parlamento deve ser espaço de debate democrático, mas também de respeito institucional entre os representantes eleitos pelo povo — declarou. Louback informou ainda que apresentou representação para apuração da conduta da adversária política, com fundamento em resolução que dispõe sobre o Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Niterói. Vereadora bolsonarista critica homenagem à cantora Ludmilla Relembre o caso O embate ocorreu durante a votação do projeto na terça-feira (3), de autoria de Benny, que concedeu a Ludmilla o título de cidadã niteroiense. A proposta foi aprovada por 8 votos a 6, sob clima de tensão. Durante a sessão, Louback declarou da tribuna:? — Impressionante que hoje parece que é crime no Brasil você ser branco. Vocês me desculpem por ter nascido… Inclusive, o meu avô materno é negro, e o outro de família alemã. Uma mistura danada — disse Louback. Além da declaração, Louback também fez referência à aparência da colega. — Sabe o que é engraçado? Defende tanto o povo negro, e olha a cor do cabelo, hoje — afirmou Louback, em menção ao cabelo de Benny. Após a troca de acusações, parlamentares intervieram e assessores se aproximaram para evitar que a discussão evoluísse. A sessão foi encerrada em seguida. A votação ocorre semanas depois de Louback e outros parlamentares do PL questionarem o show de Réveillon de Ludmilla na Praia de Icaraí. A crítica se baseou na execução da música “Verdinha”, lançada em 2019, que, segundo a vereadora, faria referência ao consumo de maconha. O episódio foi associado à recém-sancionada Lei Municipal 4.097/2025, apelidada de “Lei Anti-Oruam”, que proíbe o uso de recursos públicos para contratar ou divulgar espetáculos abertos a crianças e adolescentes que façam apologia ao crime ou às drogas. Louback, autora do projeto, sustentou que a apresentação poderia ter descumprido a norma. À época, Benny saiu em defesa da cantora e criticou o que chamou de “pânico moral” e tentativa de criminalização de expressões culturais das periferias.