Ações do Pão de Açúcar saltam 14,7% e lideram ganhos na Bolsa. Por que o mercado reagiu? Entenda

As ações do Grupo Pão de Açúcar (GPA) dispararam 14,67%, a maior alta do Ibovespa nesta quarta-feira e fecharam a R$ 2,97. O avanço ocorreu depois de um tombo de 13% dos papéis da companhia no pregão anterior. O que animou os investidores ontem foi um comunicado ao mercado da empresa no qual ela afirma que se encontra “em negociações construtivas com determinados credores para repactuação de dívidas financeiras e outras obrigações de curto prazo não relacionadas à operação”. Pão de Açúcar: Qual é a estratégia do grupo varejista para sair da crise? Novos hábitos: Canetas emagrecedoras, bets e juros desafiam vendas e avanço no consumo de alimentos O documento acrescenta que o GPA tem analisado diferentes alternativas para a melhoria do seu perfil de endividamento. O Pão de Açúcar contratou consultores para assessorar o processo e afirma que os trabalhos ainda estão em curso. “A companhia reforça que sua operação é saudável e que as negociações acima mencionadas têm por seu único objetivo reforçar a liquidez da companhia e, portanto, não envolvem suas operações no dia a dia, inclusive com relação ao relacionamento com fornecedores, clientes e parceiros”, afirma o comunicado. Com a disparada, o valor de mercado da empresa passou de R$ 1,27 bilhão para R$ 1,45 bilhão. Segundo a agência Bloomberg, citando pessoas familiarizadas com o assunto, o Pão de Açúcar contratou o escritório de advocacia Munhoz Advogados, especializado em reestruturação de dívidas. Initial plugin text De acordo com a agência, a ideia é negociar de forma organizada com os credores e, eventualmente, realizar uma recuperação judicial, o que a empresa nega. Procurada pela Bloomberg, o Munhoz Advogados não comentou o assunto. Varejistas no Brasil têm sofrido com as altas taxas de juros e endividamento. O GPA vem enfrentando dificuldades para reestruturar seu principal negócio de alimentos, segundo informou em 25 de fevereiro, acrescentando que a administração está tomando medidas para mitigar os riscos associados aos elevados vencimentos de dívidas em 2026. Renegociar contratos com credores, frear investimentos, desfazer-se de imóveis e até reduzir o sortimento de produtos em algumas lojas estão entre as estratégias previstas pelo GPA para os próximos meses. A relação entre a dívida líquida e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) do GPA saltou para 2,4 vezes no fim de 2025, ante 1,6 vez no ano anterior. A dívida líquida subiu para R$ 2,08 bilhões, contra R$ 1,39 bilhão em 2024. A rede de supermercados informou em 7 de janeiro que contratou a divisão de melhoria de performance da Alvarez & Marsal para auxiliá-la a atingir seu plano de eficiência para 2026.