A CPI do INSS no Senado se reúne nesta quinta-feira para votar requerimentos que podem ampliar o alcance das investigações sobre suspeitas de fraudes contra aposentados e pensionistas. A pauta inclui pedidos de prisão preventiva de dirigentes do Sindicato Nacional dos Aposentados (Sindnapi), além de convocações do empresário Fabiano Campos Zettel, do presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Nelson Antonio de Souza, e requerimentos de quebra de sigilo financeiro. Saiba mais: Câmara aprova PEC após amplo acordo e dificulta progressão de regime de criminosos PEC da Segurança: Saiba como votou cada deputado e partido Zettel foi preso ontem em investigação relacionada ao Banco Master e também foi alvo de requerimento de convocação por parte da CPI do Crime. Sua audiência estava marcada no colegiado vizinho para esta quarta-feira. Antes de ser preso, ele já havia comunicado que não estaria presente, após ter conseguido uma decisão no STF que o desobrigou. Entre os principais itens da sessão de hoje está o pedido de prisão preventiva de Tonia Andrea Inocentini Galleti, que foi conselheira do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi), e de Milton Baptista de Souza Filho, que presidiu a entidade. O sindicato é investigado pela CPI por suspeitas de participação em irregularidades relacionadas a descontos aplicados em benefícios previdenciários. O Sindnapi é ligado à Força Sindical e tem entre seus dirigentes José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ocupa o cargo de vice-presidente da entidade. A proximidade política tornou o caso um dos pontos mais sensíveis da investigação no Congresso. Tonia Andrea Inocentini Galleti integra uma família historicamente ligada ao comando do sindicato. O pai, João Batista Inocentini, foi um dos principais dirigentes da entidade por anos e teve papel central na estruturação do Sindnapi dentro da Força Sindical. A comissão também deve analisar requerimentos envolvendo o empresário Fabiano Campos Zettel, incluindo pedidos de convocação para depoimento e quebra de sigilos bancário e fiscal. Zettel é citado em investigações relacionadas ao caso do Banco Master e é ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, que também está no centro de apurações conduzidas no Congresso e em investigações policiais. Outro requerimento prevê a convocação de Nelson Antonio de Souza, presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), para prestar esclarecimentos à comissão. A pauta inclui ainda pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal da holding J&F Participações, controladora da JBS, além da convocação de José Antonio Batista Costa, presidente do grupo, para prestar depoimento como testemunha. Além da análise dos requerimentos, a sessão prevê duas oitivas consideradas estratégicas pelos integrantes da CPI. Foram convidados para depor Rodrigo Ortiz D’Ávila Assumpção, presidente da Dataprev, estatal responsável pelo processamento de dados da Previdência Social, e o advogado Cecilio Galvão. Galvão foi localizado pela Polícia Federal em São Paulo nesta semana, após ter faltado duas vezes a depoimentos marcados pela comissão. Diante das ausências, a CPI determinou sua condução coercitiva, e a expectativa é que ele seja levado para prestar esclarecimentos nesta quinta-feira. Segundo integrantes da comissão, o advogado recebeu cerca de R$ 4 milhões de associações investigadas no esquema de descontos indevidos aplicados em benefícios do INSS. Parlamentares pretendem questioná-lo sobre sua atuação jurídica para entidades envolvidas nas investigações e sobre a estrutura contratual utilizada para viabilizar os convênios que permitiam os descontos nos benefícios de aposentados e pensionistas. Já a presença de Assumpção é vista como central para esclarecer como funcionam os sistemas que permitem o registro e a autorização de descontos em benefícios do INSS. A Dataprev é a empresa pública responsável pela infraestrutura tecnológica da Previdência e processa as bases de dados utilizadas para a gestão dos benefícios e para a operacionalização de convênios firmados com entidades que representam aposentados e pensionistas. Instalada para investigar suspeitas de fraudes contra aposentados e pensionistas, a CPI apura a atuação de entidades que representam beneficiários do INSS e possíveis irregularidades em convênios que permitiam descontos diretamente nos benefícios pagos pela Previdência. Parlamentares da comissão avaliam que a votação dos requerimentos desta quinta pode abrir novas frentes de investigação envolvendo dirigentes sindicais, empresários e instituições financeiras.