Petrobras deve reverter perdas e fechar 2025 com lucro e dividendos

A Petrobras divulga nesta quinta-feira, após o fechamento do mercado, o seu resultado financeiro de 2025. A expectativa é que o lucro líquido fique entre R$ 100 bilhões e R$ 125 bilhões no ano passado, o que representaria uma alta de até 240% em relação ao ganho de R$ 36,6 bilhões obtido em 2024, quando a alta do dólar, o recuo no preço do petróleo e baixas contábeis afetaram o resultado da empresa. Distribuição: Shell oferece injeção de R$ 3,5 bilhões na Raízen e defende integração da companhia Tensão no Oriente Médio: alta do petróleo pressiona Petrobras por reajuste, mas analistas avaliam que empresa vai preferir aguardar Com isso, a expectativa é de pagamento de dividendos ordinários de US$ 1,6 bilhão (cerca de R$ 8,4 bilhões com base no câmbio de R$ 5,25), segundo relatório da XP e do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep). Até o terceiro trimestre, a Petrobras pagou R$ 32,54 bilhões aos seus acionistas. O governo federal abocanha 28,67% desse total. Produção maior O Ineep destaca ainda o aumento da produção como um dos fatores para o melhor resultado da estatal no ano passado. A produção total da Petrobras subiu 10,8%, chegando a 2,990 milhões de barris de óleo equivalente por dia (Mboe). O destaque ficou para a alta no pré-sal, com produção de 2,020 milhões de boe por dia, avanço de 11,4% no ano. As exportações de petróleo bateram recorde, com 765 mil barris por dia, alta de 27,1% em relação ao ano anterior. A China respondeu por 53% das compras de petróleo brasileiro. A projeção dos resultados revela que a companhia, após prejuízo de R$ 17 bilhões no quarto trimestre de 2024, deve registrar o quarto trimestre consecutivo de lucro líquido no quarto trimestre de 2025. Sem risco? Petrobras descarta risco imediato às importações e exportações de petróleo após tensão no Oriente Médio Depois de acumular lucro líquido de R$ 94,5 bilhões nos três primeiros trimestres do ano, a companhia tem lucro projetado de R$ 31,1 bilhões no quarto trimestre de 2025 e pode fechar o ano com resultado próximo de R$ 125,5 bilhões”, disse o Ineep em relatório. Apesar de o preço do petróleo estar em alta atualmente, na esteira da guerra no Irã, a commodity fechou o ano passado em baixa, perto dos US$ 60. Assim, segundo relatório da XP, o Brent mais baixo deve afetar a geração de caixa e o faturamento da companhia. A expectativa é de receita de vendas em torno de R$ 474 bilhões, abaixo dos R$ 490,8 bilhões do ano anterior, segundo estimativas da Bloomberg. Pagamento por áreas A XP cita, por outro lado, que o resultado será pressionado pelos altos investimentos no trimestre, incluindo o pagamento de R$ 6,97 bilhões pelos direitos e obrigações da União nas áreas de Mero e Atapu, adquiridos no leilão de áreas não contratadas realizado pela Pré-Sal Petróleo (PPSA), e o impacto de R$ 1,54 bilhão referente ao Acordo de Individualização da Produção da jazida compartilhada do pré-sal de Jubarte. Initial plugin text Queda no preço de derivados Embora a Petrobras tenha registrado alta de 1,6% na venda de derivados no mercado brasileiro no ano passado, o Ineep destaca que os preços médios dos derivados vendidos pela companhia tiveram queda de 4,2%, passando de R$ 484,5 por barril no fim de 2024 para R$ 464,2 por barril no último trimestre de 2025, segundo estimativas do instituto.