A experiência de enoturismo nas cidades do Porto e de Vila Nova de Gaia se enriquece ainda mais quando se pega a estrada (ou a ferrovia) rumo ao Vale do Rio Douro, ao encontro com as raízes desse Portugal tão mágico. De carro, em transfer a partir do Porto ou de trem, o caminho já é uma atração. Uma das rotas possíveis, pela Estrada Nacional 222, é considerada uma das mais bonitas da Europa. Já no vale, a paisagem que se impõe é de montanhas coloridas pelas plantações de uvas — e também de olivas e castanhas —, serpenteadas por um Douro de águas calmas. Os vilarejos são bucólicos e acolhedores, onde a simplicidade de pequenos comércios locais, como padarias e talhos (onde são vendidos produtos à base de carne) está em harmonia com a sofisticação de hotéis como o Vintage House Hotel, na vila do Pinhão, a cerca de 125 quilômetros do Porto. Amarante. Doces, vinho verde e música numa joia ainda pouco conhecida no norte de Portugal Rota de Setúbal: um roteiro por vinícolas cheias de história e personalidade perto de Lisboa No Vintage, conta Paulo Santos, responsável pelas unidades de turismo do grupo Fladgate no Douro, são 50 quartos, praticamente todos virados para o rio. Há ainda dois restaurantes: o Library Bar e o Salão do Rio, cujo terraço parece cenário de filme romântico — não por acaso casamentos são celebrados ali. Os encantos do lugar, porém, vão além dessa beleza cinematográfica. O sofisticado Vintage House Hotel, está instalado às margens do Rio Douro, na vila do Pinhão, a cerca de 125 quilômetros do Porto, norte de Portugal Rafael Galdo/O Globo — Nos últimos anos, o Douro começou a interessar chefs com estrela Michelin, que assinam ou dão consultoria aos restaurantes. Aliado a isso, há um conjunto de atividades a fazer na região, como passeios de barco ou caiaque pelo rio, ou de jipe ou de bicicleta pelas montanhas. Empresas organizam tours com guias que levam as pessoas, às vezes, a lugares isolados, que não conseguiriam ir sozinhas — diz Santos, que recomenda no mínimo duas noites no vale. — Aqui, as pessoas precisam ter tempo para desfrutar, saborear a comida, fazer tudo com calma. De corrida, já basta a vida do nosso dia a dia. Nesse ritmo mais lento, visitar as quintas onde as uvas são produzidas é um programa imperdível. A Quinta do Panascal, na freguesia de Valença do Douro, bem perto do encontro do Rio Távora com o Douro, é uma das mais belas. Já na Quinta da Roêda, no Pinhão, o centro de visitantes oferece almoços, jantares e piqueniques com vistas que parecem uma pintura. Em dias sem chuva, os piqueniques podem ocorrer no meio dos parreirais ou num varandão coberto de vinhas, com janelas emolduradas diante da plantação. De um mirante no povoado de Casal de Loivos é possível ter uma ideia de como o Rio Douro serpenteia por seu vale, no norte de Portugal Rafael Galdo/O Globo A Roêda ainda tem um quê a mais. Numa área de cerca de três hectares, há vinhas plantadas e que continuam produtivas há mais de um século, com vários tipos de castas. Foi dali que, em 2017, saiu uma safra especialíssima. — Essa vinha produz menos do que as novas. Mas a mantemos porque, com ela, garantimos mais complexidade de sabor dos vinhos. São vinhas incríveis, há mais de cem anos sem rega, porque vinho do Porto não pode ser regado. É vitivinicultura da mais tradicional, sem uso de máquinas, como um século atrás, com cavalo e arado. Até os muros de xisto em meio à plantação são construídos há mais de cem anos, reconhecidos como parte do Patrimônio da Humanidade — diz Miguel Campos, diretor de operações responsável pelo enoturismo nas quintas do Panascal, da Roêda e Celeirós. O hotel The Manor House, em Celeirós, no Vale do Rio Douro, em Portugal, tem sua piscina ao lado das vinhas e de um barril gigante Rafael Galdo/O Globo Esta última quinta, aliás, fica montanha acima, a 550 metros de altitude, na aldeia de Celeirós. E tem outra opção de hospedagem na região, a The Manor House, para uma experiência ainda mais intimista, numa casa com 12 quartos. É um espaço onde o charme rural ganha toques de requinte, como uma piscina ao lado das vinhas e de um barril gigante. A poucos passos dali, ainda há o Casal de Celeirós Visitors’ Centre, onde são guardados vinhos produzidos há gerações, numa construção moderna, que se destaca na paisagem. E o melhor! No Vale do Rio Douro, a vindima é feita em setembro, num período que dura de três semanas a um mês, o mais movimentado tanto de turistas quanto de trabalhadores (atualmente grande parte deles imigrantes). Mas esse lugar repleto de história pode ser visitada o ano inteiro, com uma paisagem que muda conforme a estação. No outono, por exemplo, a mistura de folhas vermelhas, amarelas e verdes dão tons especiais às montanhas. E, na primavera, o chão das plantações fica coberto de pequenas flores amarelas. Seja quando for, são atrações que se multiplicam e vivências que ficam para sempre na memória. Rafael Galdo viajou a convite do The Fladgate Partnership