Os sabores marcantes do vinho do Porto são garantidos por meio de uma fortificação da bebida com a adição de aguardente vínica antes do fim de seu processo de fermentação. Clima e solo onde as plantações estão são outros fatores que contribuem para a produção desse ícone. Na região do Douro, por exemplo, as pedras de xisto no solo recebem calor e o liberam para as raízes à noite. Esse solo também retém água, o que permite com que as vinhas de vinho do Porto não sejam regadas no verão. Amarante. Doces, vinho verde e música numa joia ainda pouco conhecida no norte de Portugal Rota de Setúbal: um roteiro por vinícolas cheias de história e personalidade perto de Lisboa Outro ponto forte é a variedade de uvas, mais de cem, que produzem 80 diferentes vinhos tintos e 20 brancos. — No vinho do Porto queremos complexidade de aromas, de sabor — resume Susana Vigário, guia do museu Taylor’s, em Vila Nova de Gaia. Parreirais da Quinta da Roêda, uma das vinícolas tradicionais no povoado do Pinhão, no Vale do Douro, no norte de Portugal Rafael Galdo/O Globo Tudo importa na produção, dos cascos em que os vinhos envelhecem ao tempo em que eles permanecem nos tonéis. — Vinho do Porto é um exercício de paciência — diz Miguel Campos, diretor de operações responsável pelo enoturismo nas quintas do Panascal, Roêda e Celeirós. E se qualquer mudança pode influir nos sabores, é uma produção que, hoje, também é afetada pelas transformações climáticas, como verões cada vez mais quentes, que exigem adaptações também nas plantações das uvas. Na Quinta da Roêda, no Vale do Rio Douro, houve uma redução de 40% dos produtos químicos, trazendo de volta métodos tradicionais, combinados com técnicas modernas, como as estações trilógicas (temperatura, chuva e vento), que ajuda a tomar a decisão, por exemplo, de quais uvas vão ser colhidas em qual dia. — Tudo é pensado para não usar pesticidas, manter o Rio Douro vivo — diz Campos. Azulejo na estação ferroviária do povoado do Pinhão, no Vale do Rio Douro, mostra a colheita da uva na maneira tradicional Rafael Galdo/O Globo Apesar dos esforços, em 2025 a região do Douro enfrentou queda de 24% na produção devido a uma longa sequência de dias de calor acima no normal. Para fazer sua parte para alterar esse cenário, desde 2018 Andrian Bridge, CEO da Fladgat, e o ex-presidente americano Barack Obama lançaram o movimento Porto Protocol. Hoje, mais de 500 empresas envolvidas, entre produtores, distribuidores e lojas, compartilham experiências que dão certo localmente e que podem ser replicadas em outros lugares. — Com as mudanças climáticas, não temos tempo de inventar a roda. Há muitas empresas e pessoas que têm soluções. O problema é que, às vezes, elas ficam isoladas. Não pode. A realidade é que estamos todos num mesmo mundo, então temos que compartilhar as soluções. Adotá-las mais rapidamente. Se fizermos isso temos mais capacidade de resolver o assunto — diz Bridges. — Na base do nosso negócio, somos lavradores, muito ligados à terra, e obviamente precisamos adotar soluções. Rafael Galdo viajou a convite do The Fladgate Partnership