Advogado que diz ter sido agredido em delegacia no DF já foi denunciado por estupros e outros crimes

OAB denuncia que advogado foi agredido e algemado por policiais em delegacia do DF O advogado Cláudio Martins Lourenço, que alegou ter sido agredido e algemado em uma delegacia no Distrito Federal, ao atender um cliente na segunda-feira (2), tem uma ampla ficha criminal. O g1 apurou que, entre as denúncias já feitas contra ele estão as de estupros, furto, estelionato, falsidade ideológica e descumprimento de medidas protetivas, com uma condenação registrada. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Cláudio Martins Lourenço disse que foi agredido na 26ª Delegacia de Samambaia. Nesta quarta (4), a Polícia Civil afirmou que a ação aconteceu porque advogado desobedeceu uma ordem de sair da delegacia e recusou "veementemente" a se identificar (veja vídeo acima). Diante da denúncia de agressão, a OAB saiu em defesa do advogado e chegou a se reunir com o governador Ibaneis Rocha, que determinou que a Corregedoria da Polícia Civil investigue a conduta dos policiais. Em nota publicada na quarta, o Sindicato dos Delegados se manifestou sobre a denúncia de agressão e também declarou que Cláudio tem amplo histórico criminal. "Causa estranheza que uma pessoa com amplo histórico criminal e condenações por estupros e recentemente presa por violência contra mulheres, possa estar nos quadros da OAB", disse o sindicato. A reportagem entrou em contato com a OAB, que ainda não se manifestou sobre o histórico criminal do advogado. Confusão em delegacia OAB denuncia que advogado foi agredido e algemado por policiais em delegacia do DF reprodução Segundo a OAB, Cláudio Martins Lourenço foi até a 26ª Delegacia na segunda-feira (2) para atender um cliente, que relatou ter sofrido agressões dentro da unidade. A Polícia Civil disse que, durante a contenção de um preso com gás de pimenta, o delegado plantonista ordenou que todos deixassem a delegacia, por questões de segurança. O advogado "desobedeceu reiteradamente à ordem legal, recusando-se a sair do recinto". "Após ser retirado da DP pela autoridade policial para evitar sua intoxicação, o advogado recusou-se veementemente a fornecer seus dados de identificação. Diante da recalcitrância e desobediência, recebeu voz de prisão", disse a corporação. A polícia também disse que, quando a ordem de retirada foi feita, dois presos por tráfico de drogas estavam no saguão da delegacia, o que agravou o estado de perigo da desobediência do advogado. "Devido ao seu ânimo exaltado, foi necessário o uso progressivo de algemas. A comissão de prerrogativas da OAB foi acionada, compareceu ao local e acompanhou a lavratura do procedimento", disse a polícia. Vídeo mostra advogado sendo detido Um vídeo feito por uma testemunha mostra o momento em que o advogado foi detido pelos policiais (veja no início da reportagem). Leia parte do diálogo: Policial: eu estou falando pra você sair daqui. Advogado: eu não estou entendendo, cheguei agora. Policial: nós vamos fazer uso de gás, o senhor dá licença daqui. Advogado: o senhor fala direito comigo. Policial: eu já falei três vezes... Não quero saber cara, vaza. Filma aí. Advogado: estou filmando mesmo. Policial: que bom, filma aí. Está filmando a sua desobediência [...] Você quer levar pra frente, a gente leva. Você quer? Advogado: quero! Policial: cadê a sua identificação? Vai recusar também? Neste momento, o policial e outro agente pegam o advogado pelo braço e o levam para dentro da delegacia. Advogado: olha, estou sendo preso aqui. O que diz o Sindicato dos Delegados "O Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Distrito Federal – SINDEPO-DF vem a público manifestar-se acerca dos fatos ocorridos no dia 02 de março de 2026, envolvendo o Delegado de Polícia Felipe Lenon Nascimento Brito Rezende e o advogado Cláudio Martins Lourenço. Na ocasião, a Delegacia de Polícia encontrava-se com intenso fluxo operacional, com diversas ocorrências, incluindo autos de prisão em flagrante. A unidade policial enfrentava situação concreta de risco no interior da carceragem. Diante da escalada da tensão, o Delegado determinou a evacuação temporária do saguão e das dependências internas, medida técnica e preventiva. A ordem foi legal, clara e reiterada, e todos a cumpriram, exceto o advogado, que insistiu em permanecer no local. Diante desse descumprimento deliberado, foi-lhe dada voz de prisão por desobediência. Mesmo após a voz de prisão, o indivíduo recusou-se a fornecer sua identificação formal quando novamente instado a fazê-lo pela autoridade policial. É preciso afirmar com clareza: prerrogativas profissionais não se sobrepõem à autoridade legal do Delegado de Polícia no exercício da função. O Estatuto da Advocacia garante direitos, mas não autoriza o descumprimento de ordem legal, tampouco legitima a permanência deliberada em ambiente sob risco, após determinação formal de evacuação por motivo de segurança. Por outro lado, causa estranheza que uma pessoa com amplo histórico criminal e condenações por estupros e recentemente presa por violência contra mulheres, possa estar nos quadros da OAB. O SINDEPO-DF reafirma o respeito institucional à advocacia, mas também reafirma que não aceitará qualquer tentativa de deslegitimar a autoridade no estrito cumprimento do dever. O Sindicato prestará integral apoio institucional e jurídico ao Delegado, certo de que a análise objetiva dos fatos demonstrará a correção da conduta adotada. A autoridade policial não pode ser constrangida no exercício de suas atribuições, sobretudo em contexto emergencial que envolve custódia de preso agressivo e risco concreto à integridade física de terceiros. Delegacias de polícia são ambientes de gestão de crise. Nesses locais, a autoridade responsável pela unidade deve agir com autonomia, técnica e firmeza, sob pena de comprometer vidas e a própria ordem pública. Ao Delegado de Polícia cabe a direção da unidade policial e a preservação da segurança interna. Essa competência não pode ser relativizada por pressões externas ou narrativas descontextualizadas. O Delegado Felipe Lenon Nascimento Brito Rezende possui 16 anos de experiência nada havendo que desabone sua atividade profissional." O que diz a OAB "O advogado Cláudio Martins Lourenço foi agredido, algemado e preso na 26ª Delegacia de Polícia Civil de Samambaia, no Distrito Federal, ontem de noite (2/3), e ele foi detido quando estava do lado de fora da delegacia. Tinha ido à delegacia para atender cliente que estava detido e que afirmou ter sofrido agressões (registrado em vídeo) dentro das dependências da delegacia. O caso está em apuração pela OAB/DF, diretamente pela sua presidência e pela sua diretoria de Prerrogativas. Serão adotadas todas as medidas cabíveis junto a autoridades competentes. O caso foi registrado em Termo Circunstanciado na delegacia e homologado pelo mesmo agente agressor, o que pode configurar grave abuso de autoridade, além de agressão a advogado no exercício da profissão, o que será fortemente repudiado pela Ordem." O que diz a Polícia Civil "Nesta segunda-feira (2), durante a contenção de um preso com gás de pimenta, o delegado plantonista da 26ª DP (Samambaia Sul) ordenou a evacuação do interior da delegacia por questões de segurança. Um advogado que estava no local desobedeceu reiteradamente à ordem legal, recusando-se a sair do recinto. Após ser retirado da DP pela autoridade policial para evitar sua intoxicação, o advogado recusou-se veementemente a fornecer seus dados de identificação. Diante da recalcitrância e desobediência, recebeu voz de prisão. Saliente-se que, no momento em que a ordem de retirada foi emanada, havia dois presos por tráfico de drogas no saguão da delegacia, o que agravou o estado de periculosidade da desobediência do advogado. Devido ao seu ânimo exaltado, foi necessário o uso progressivo de algemas. A comissão de prerrogativas da OAB foi acionada, compareceu ao local e acompanhou a lavratura do procedimento." LEIA TAMBÉM: HOSPITAL ANCHIETA: polícia apura mais sete mortes ligadas a técnicos de enfermagem presos no DF PEDRO TURRA: namorada de ex-piloto é investigada por ameaçar jovem que denunciou Turra por tortura Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.