Em uma de suas colunas recentes na Revista ELA, a escritora gaúcha Martha Medeiros aborda um episódio doído vivido pela mãe: leitora compulsiva, ela já não conseguia, com as falhas da memória causadas pelo avançar da idade, acompanhar as histórias que amava e, entre melancólica e realista, indagava se teria valido a pena ter lido tanto. Martha toma a pergunta da mãe como mote para o texto, e costura uma bela homenagem à mulher que a incentivou a mergulhar no mundo dos livros e, consequentemente, a se tornar escritora. Vários leitores, entre eles Edgardo Joaquim D. do Prado e Carlos Augusto Vasques, escreveram comovidos, elogiando Martha pela delicadeza ao falar de um tema doído como o envelhecimento da mãe, e pela paixão ao defender o papel da leitura e dos livros na vida das pessoas. "Mãe, a leitura te fez uma das mulheres mais humanas com que tenho o privilégio de conviver", escreve a autora. Veja abaixo o vídeo com a resposta de Martha Medeiros, que também se revelou emocionada com a repercussão do seu texto. Carta dos leitores - sobre livros e afetos Leia as cartas completas: "Bonita e delicada crônica de Martha Medeiros (“De que adiantou?”), sobre amor filial e o legado dos livros. Assim como ela, tive o privilégio de uma infância em uma casa com muitos livros, com pais que amavam a leitura. E o texto, além da beleza, cita ainda duas magníficas obras de Somerset Maugham, “Servidão humana” e “Um gosto e seis vinténs”, duas pérolas literárias de um autor hoje praticamente esquecido, infelizmente." Por Carlos Augusto Vasques (Rio) "Li o texto da Martha Medeiros na Revista ELA. Quanta delicadeza na viagem que ela faz ao passado, de mãos dadas com a mãe de 88 anos! Quanto carinho ao mostrar a ela, já com dificuldade de memória, cada lembrança, cada livro que ajudou a construir a própria história. Como arqueóloga no Museu do Amor, traz de volta aquilo que o tempo transformou em tesouro. E a frase final do texto define como as mãos de mãe e filha continuarão sempre unidas. Ela diz assim: “Podes já não lembrar, mãe, mas eu lembro”. Que lindo, que eterno!" Por Edgardo Joaquim D. do Prado (Rio)