Conhecida nacionalmente por ter atuado como peça-chave nas investigações da Operação Lava-Jato, a contadora Meire Poza voltou aos holofotes nesta quinta-feira (5), ao ser alvo de uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP). O órgão apura um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro que teria se instalado em departamentos estratégicos da Polícia Civil paulista. Lava-jato: Ex-contadora de Yousseff fará ONG para ajudar testemunhas de crimes Durante a investigação: Contadora de Youssef diz que emitiu notas por amor e que foi convidada a churrasco da Lava-Jato Ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, Meire ganhou notoriedade ao prestar depoimento às autoridades no âmbito da Operação Lava-Jato. À época, ela detalhou a estrutura financeira montada para operacionalizar pagamentos ilícitos, descrevendo o funcionamento interno do esquema e a dinâmica de repasses a agentes públicos e operadores políticos. Suas declarações contribuíram para esclarecer a engrenagem contábil que sustentava as transações investigadas. Também investigada no curso da Lava-Jato, Meire firmou acordo de colaboração premiada e passou a atuar como testemunha em diferentes ações penais. Em 2016, chegou a anunciar a criação de uma ONG voltada ao apoio de testemunhas e colaboradores da Justiça. Agora, segundo o MPSP, a contadora teria atuado na estruturação contábil de empresas de fachada utilizadas por um grupo suspeito de pagar propinas a policiais civis. De acordo com a denúncia, agentes públicos transformavam dinheiro em espécie em créditos de vales-refeição para ocultar a origem ilícita dos recursos. A investigação aponta ainda o uso de empresas fictícias e a simulação de operações de importação para conferir aparência legal aos valores. No documento, o Ministério Público afirma que Meire “atuava com plena consciência da ilicitude das operações realizadas por essas pessoas jurídicas”. Mensagens interceptadas indicam que, em outra apuração — a Operação Fractal, que desmantelou um esquema de fraudes bancárias e ocultação de patrimônio — ela teria contado com o auxílio de um integrante da organização criminosa agora investigada. Em uma das conversas, o suspeito, descrito como “elo” entre os agentes corruptos, afirma: “Já está tudo acertado com os caras lá dentro”. Quando foi intimada a depor no Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), no âmbito da Fractal, a organização teria se mobilizado para protegê-la. Segundo a investigação, esse mesmo integrante ofereceu um advogado para acompanhar o depoimento, com o objetivo de orientar e controlar sua fala perante a autoridade policial. Além de Meire, também foi citado na operação deflagrada hoje o doleiro Leonardo Meirelles, que na Lava-Jato atuava na intermediação de pagamentos no exterior, utilizando contas bancárias fora do país e empresas offshore para viabilizar a circulação de recursos de origem ilícita. Ele foi preso nas primeiras fases da operação e posteriormente firmou acordo de colaboração premiada. Na nova investigação, Meirelles é descrito como alguém que atuava de forma sistemática “na promessa e no pagamento de vantagens indevidas a policiais civis de delegacias especializadas”, como o Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic) e o DPPC. “O objetivo era que esses agentes retardassem investigações, deixassem de praticar atos de ofício ou ‘blindassem’ os integrantes do grupo criminoso”, afirma o MPSP. Ambos foram alvos de mandados de prisão preventiva. A Secretaria de Segurança Pública ainda não confirmou as prisões. A reportagem tenta contato com as defesas dos acusados.