Casa Branca publica vídeo com imagens de videogame para exibir ataques contra o Irã e gera críticas nas redes; 'Sem noção e distópico'

A Casa Branca publicou nas redes sociais um vídeo promocional das operações militares dos Estados Unidos contra o Irã que mistura imagens reais de ataques com cenas do videogame Call of Duty: Modern Warfare 3, provocando críticas e perplexidade entre usuários da internet. Vivi Para Contar: 'Aprendi da pior forma que, em zonas de conflito, o cenário muda a cada hora' 'Está cada vez pior': Sob bombardeios, iranianos e libaneses relatam medo, exaustão e incerteza sobre o rumo da guerra O vídeo, divulgado na conta oficial da Casa Branca na rede social X, começa com a animação de uma sequência de ataques do jogo conhecida como “MGB” (“Bombas Guiadas em Massa”, do inglês), um recurso secreto ativado por jogadores que conseguem eliminar 30 adversários sem morrer. Initial plugin text Após a animação, a gravação passa a exibir uma montagem de imagens reais de operações militares recentes, incluindo jatos de combate, navios de guerra e mísseis sendo lançados contra alvos. Entre os registros aparecem imagens desclassificadas de ataques atingindo um navio, veículos e o que parece ser um complexo militar. A publicação foi acompanhada da legenda: “Courtesy of the Red, White & Blue”, ou "Cortesia do Vermelho, Branco e Azul", em referência às cores da bandeira americana. Bastidores: Da pressão de Netanyahu a golpe de inteligência, como foi o caminho de Trump até a decisão de atacar o Irã A divulgação ocorreu no mesmo dia em que milhares de pessoas participaram no Irã de um funeral coletivo em homenagem a cerca de 175 civis mortos em bombardeios que destruíram uma escola primária. A Casa Branca nega responsabilidade direta por esse ataque específico, mas afirmou que o caso está sendo investigado, segundo o jornal britânico The Guardian. Ainda não está claro se a desenvolvedora do jogo, Activision, ou sua controladora, Microsoft, autorizaram o uso das imagens na publicação oficial do governo americano. Nos últimos anos, a Microsoft tem enfrentado críticas relacionadas ao conflito no Oriente Médio. Reportagem do The Guardian apontou que a agência militar de vigilância de Israel utiliza amplamente serviços de computação em nuvem e a plataforma Azure da empresa para monitorar palestinos. A companhia negou as acusações e afirmou em um comunicado que realizou revisões internas e externas e “não encontrou evidências até o momento de que as tecnologias Azure e de inteligência artificial da Microsoft tenham sido usadas para atingir ou prejudicar pessoas no conflito em Gaza”. Chatbots vão à guerra: como IA generativa e drones kamikazes transformaram a guerra no Oriente Médio A publicação da Casa Branca também provocou reação negativa nas redes sociais. Muitos usuários classificaram o vídeo como insensível e compararam a montagem a um videogame. “Cara, eu não sou politizado, mas fazer memes sobre matar toneladas de civis é insanamente sem noção e distópico', escreveu um usuário no X. Houve ainda comparações com a série distópica Black Mirror. “A Casa Branca fazer vídeos exaltando guerras e postá-los nas redes sociais oficiais é o nível de distopia no qual vivemos hoje em dia", escreveu um comentário. "Black mirror não conseguiria fazer um episódio mais louco”, concluiu.