A Oracle está planejando cortar milhares de empregos como parte de suas medidas para lidar com uma falta de caixa causada por um enorme esforço de expansão de centros de dados para inteligência artificial. As reduções de postos de trabalho afetarão divisões em toda a empresa e podem ser implementadas já neste mês, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. Parte dos cortes será direcionada a categorias de empregos que a empresa espera precisar menos devido ao avanço da IA, disseram duas dessas pessoas. Liderada pelo presidente Larry Ellison, a Oracle está embarcando em uma expansão histórica de centros de dados para alimentar cargas de trabalho de IA para clientes como a OpenAI. A empresa, conhecida há muito tempo por seu software de banco de dados, vem passando nos últimos anos por uma transição para fortalecer sua unidade de computação em nuvem com foco em IA, com a intenção de se tornar uma concorrente viável das líderes de mercado Amazon.com e Microsoft. Analistas de Wall Street projetam que os gastos da unidade de nuvem com centros de dados levarão o fluxo de caixa da Oracle a ficar negativo nos próximos anos, antes que esses investimentos comecem a dar retorno por volta de 2030, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. No mês passado, a Oracle afirmou que pretende levantar até US$ 50 bilhões neste ano por meio de uma combinação de emissão de dívida e venda de ações. De acordo com as fontes, as reduções planejadas devem ser mais amplas do que os cortes rotativos de empregos que a empresa costuma fazer. Nesta semana, a Oracle anunciou internamente que irá revisar muitas das vagas abertas em sua divisão de nuvem, efetivamente desacelerando ou congelando o processo de contratação, segundo pessoas com conhecimento da medida. A Oracle se recusou a comentar. A empresa tinha cerca de 162 mil funcionários no mundo no final de maio de 2025. O planejamento para as reduções da força de trabalho ainda está em andamento e pode mudar, disseram as fontes. Os movimentos iniciais da Oracle como provedora de nuvem para IA agradaram os investidores, que elevaram as ações da empresa em 61% em 2024 e 20% no ano passado. No entanto, com o aumento dos custos, o mercado passou a ver a empresa com mais ceticismo, e as ações caíram 54% desde o pico de setembro de 2025 até o fechamento de quarta-feira. Após a divulgação dessa notícia, as ações devolveram parte dos ganhos anteriores nesta quinta-feira, chegando a cair até 1,5%, para US$ 150,12. Os altos custos iniciais da inteligência artificial têm impulsionado cortes em todo o setor de tecnologia, à medida que as empresas tentam equilibrar seus orçamentos. A Microsoft demitiu cerca de 15 mil pessoas no ano passado em meio ao aumento dos gastos com centros de dados e desenvolvimento de software de IA. Na semana passada, a Block anunciou que demitirá quase metade de sua equipe, com o cofundador Jack Dorsey citando o poder da IA de aumentar a eficiência. Em setembro, a Oracle revelou em um documento regulatório que estava planejando sua maior reestruturação da história, que pode custar até US$ 1,6 bilhão no atual ano fiscal, que termina em maio, incluindo pagamentos de indenização a funcionários demitidos. Esse valor é significativamente maior do que qualquer outro plano semelhante já divulgado pela empresa. A empresa está programada para anunciar os resultados do terceiro trimestre fiscal na próxima terça-feira.