O Superior Tribunal de Justiça (STJ) deve prorrogar o prazo para a conclusão da sindicância aberta para apurar as denúncias de assédio sexual que foram apresentadas contra o ministro afastado Marco Buzzi. Inicialmente, a sindicância deveria ser concluída no dia 10 de março, e a nova data para a entrega das apurações deve ser 14 de abril. A prorrogação deve ser oficializada pelo presidente da Corte, Herman Benjamin. O GLOBO apurou que a extensão do prazo vai servir para que os ministros que integram a comissão de sindicância possam cumprir prazos, analisem os depoimentos das acusações e, se necessário, ouçam o ministro afastado — que nega as acusações. A sindicância foi aberta no dia 10 de fevereiro e, de lá para cá, Buzzi foi afastado do cargo e os integrantes da comissão criada para averiguar as acusações passaram a analisar o material que foi recebido pela corregedoria nacional de Justiça. Desde então, novas acusações contra o ministro foram apresentadas, e o caso passou a ser considerado ainda mais grave internamente. Enquanto estiver afastado, Buzzi fica impedido de utilizar seu local de trabalho, veículo oficial e demais prerrogativas inerentes ao exercício da função, segundo a decisão do STJ. No entanto, a remuneração é mantida. Ele segue recebendo o salário de cerca de R$ 44 mil. A primeira acusação contra o ministro do STJ foi apresentada por uma jovem de 18 anos, filha de amigos do magistrado que passavam as férias na casa de praia dele, no litoral de Santa Catarina. A segunda mulher contou que os episódios ocorriam de forma periódica durante o período em que atuou no gabinete. Segundo o relato dela ao CNJ, conforme revelado pelo GLOBO, testemunhas viram os momentos em que ela, após as supostas investidas do magistrado, saía chorando ou pedindo ajuda. No depoimento, ela disse que temia ficar desempregada, e que muitas vezes pensou em pedir demissão, mas que precisava da função. A defesa do ministro afastado do STJ nega as acusações e já apresentou defesa escrita. Os advogados de Buzzi alegam que não há provas das acusações.