A Penitenciária II de Potim, no interior de São Paulo, recebeu, nesta quinta (5), o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e seu cunhado, o empresário Fabiano Zettel. A unidade fica a cerca de 40 quilômetros da Penitenciária de Tremembé, conhecida como “presídio dos famosos”. Desde janeiro, o local passou a receber presidiários notórios vindos de Tremembé, como o ex-médico Roger Abdelmassih, condenado a 104 anos de prisão pelo estupro de pacientes, e Fernando Sastre, o motorista da Porsche que matou o motorista Ornaldo da Silva Viana, no Tatuapé, em São Paulo, em março de 2024. O empresário Sérgio Nahas, que foi preso pela morte de sua esposa, Fernanda Orfali, ocorrida em 2002, também está preso em Potim. O banqueiro e seu cunhado foram presos na quarta (4), por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero. Após passarem pela sede da Polícia Federal na Lapa, Zona Oeste da capital, o ministro determinou que eles fossem transferidos para o sistema penitenciário federal. Inicialmente, eles foram para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos, e na manhã desta quinta foram levados até Potim. Comida ‘com larvas e unhas’ e ‘água quente e suja’ Um relatório da Defensoria Pública do Estado de São Paulo (DPE-SP) de agosto de 2023 mostrou que a unidade prisional II de Potim tinha problemas nas condições de higiene, na comida e na água servida aos presos, além de superlotação. Na data da inspeção, o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) estava vencido há um ano, não havia colchões e camas para todos os detentos, as celas não tinham ventilação adequada e havia a presença de “ratos, baratas e escorpiões” nas dependências do presídio. Ainda de acordo com o relatório, a principal reclamação dos presos, tanto do regime fechado quanto do semiaberto, era a água para beber, que era “quente e suja”. “Foi constatado que em todas as torneiras a água vem quente. presos separam a água e esperam ela perder a temperatura para realizar o consumo. Apesar da direção relatar que a água é tratada e própria para o consumo, foi unânime entre os presos que a água seria imprópria. Em um dos recipientes por eles mostrado, constatou-se a presença de sujeiras, havendo, dessa forma, dúvidas a respeito da potabilidade da água fornecida”, destacaram os defensores no documento. A qualidade da alimentação servida também foi criticada pelos presos, com pessoas reclamando que os alimentos são “mal preparados” e não seguem “padrões mínimos de higiene”. “Disseram que às vezes recebem alimentos crus, salada sem esterilização adequada e com larvas, pedras e até com unhas”, acrescentou o documento. O GLOBO procurou a Secretaria de Administração Penitenciária para comentar as condições de higiene no presídio, mas a pasta ainda não se manifestou.