A guerra no Oriente Médio obrigou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a suspender as operações em seu centro global de logística de emergência em Dubai, disse o chefe da agência da ONU nesta quinta-feira. Tedros Adhanom Ghebreyesus alertou que o impacto do conflito, desencadeado pelos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no sábado, "vai além dos países imediatamente afetados". Ao vivo: Irã lança ataque contra múltiplos alvos na região em 6º dia de guerra; Europa amplia esforços de defesa Vivi Para Contar: 'Aprendi da pior forma que, em zonas de conflito, o cenário muda a cada hora' Chatbots vão à guerra: como IA generativa e drones kamikazes transformaram a guerra no Oriente Médio "As operações no centro logístico da OMS para emergências globais de saúde em Dubai estão atualmente suspensas devido à insegurança", disse ele em uma coletiva de imprensa. No ano passado, o centro logístico de Dubai processou mais de 500 pedidos de emergência para 75 países em todo o mundo, disse Hanan Balkhy, diretora regional da OMS para o Mediterrâneo Oriental, a jornalistas. "As cadeias de suprimentos humanitários de saúde estão agora sendo postas em risco", alertou Hanan, explicando que "as operações do centro estão temporariamente suspensas devido à insegurança, ao fechamento do espaço aéreo e às restrições que afetam o acesso ao Estreito de Ormuz". Segundo ela, a interrupção estava "impedindo o acesso a US$ 18 milhões em suprimentos humanitários de saúde, enquanto outros US$ 8 milhões em remessas não conseguiam chegar ao centro de distribuição". A crise afetou mais de 50 pedidos de suprimentos de emergência de 25 países, além de cerca de US$ 6 milhões em medicamentos destinados à Faixa de Gaza, devastada pela guerra. 'Uma tábua de salvação extremamente importante' Além disso, ela alertou que US$ 1,6 milhão em suprimentos para laboratórios de pesquisa sobre poliomielite estavam retidos, o que poderia ter impactos graves no Afeganistão e no Paquistão, onde a doença é endêmica. Hanan afirmou que a OMS estava discutindo e coordenando com as autoridades dos Emirados Árabes Unidos sobre como continuar utilizando o centro. O governo também estava em negociações com outros países e parceiros humanitários sobre a utilização de outros centros em Nairóbi, Dacar e Brindisi para estabelecer outras rotas. Caso o conflito se prolongue, Hanan reconheceu que poderá haver necessidade de discutir "todos os tipos de rotas rodoviárias ou terrestres potenciais, possivelmente através do Reino da Arábia Saudita", mas afirmou que a OMS espera que isso não seja necessário. "O centro de operações em Dubai é uma tábua de salvação extremamente importante para a resposta humanitária", disse ela. 'Riscos nucleares' Quanto ao impacto direto da guerra, Hanan afirmou que a agência de saúde da ONU estava coordenando a resposta na área da saúde em 16 países afetados e apoiando os ministérios da saúde e parceiros "para manter os serviços essenciais". A OMS também estava "reforçando a vigilância de doenças e se preparando para possíveis vítimas em massa e deslocamentos", disse ela. Em 2025, centro logístico de Dubai processou mais de 500 pedidos de emergência para 75 países em todo o mundo Fadel Senna/AFP Entretanto, o Irã não fez nenhum "pedido formal de suprimentos específicos" à OMS, "já que seu sistema está retendo e suportando a situação atual", disse Balkhy. Mas ela afirmou que a OMS estava "aumentando o nível de preparação para riscos químicos, biológicos, radiológicos e nucleares". Tedros também mencionou as ameaças às instalações nucleares representadas pelo conflito. "Qualquer comprometimento da segurança nuclear pode ter sérias consequências para a saúde pública", alertou ele. A OMS também soou o alarme sobre os mais de uma dúzia de ataques a serviços de saúde registrados até quinta-feira, em um conflito que nem sequer completou uma semana. A organização afirmou ter verificado até o momento 13 ataques contra serviços de saúde no Irã, que resultaram em quatro mortos e 25 feridos, enquanto um ataque no Líbano matou três paramédicos e feriu outros seis. "De acordo com o direito humanitário internacional, os cuidados de saúde devem ser protegidos e não atacados", disse Tedros.