O presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizou nesta quinta-feira que deve focar as atenções de seu governo na mudança de regime em Cuba, depois que entender que a guerra no Irã chegar ao fim. A ilha, sob embargo dos EUA desde os anos 1960, enfrenta uma séria crise econômica, agravada pelo bloqueio às importações de petróleo imposto pelo republicano. — O que está acontecendo com Cuba é incrível. E nós achamos que queremos resolver isso [com o Irã] primeiro — disse Trump em um evento na Casa Branca. — Mas é só uma questão de tempo até que você e muitas pessoas incríveis estejam de volta em Cuba Apagão em Cuba: Dois terços do país ficam às escuras, incluindo a capital, Havana; 'blackout' impacta turismo À beira do colapso: Sem petróleo da Venezuela, crise de Cuba se aprofunda e expõe fragilidades estruturais Trump se dirigia ao secretário de Estado, Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos, sugerindo que há um plano em curso para o país, comandado por um regime socialista desde 1959, e que desde 1962 enfrenta um dos mais duros e longevos embargos econômicos do mundo. — Ele [Rubio] fez um trabalho fantástico em um lugar chamado Cuba — afirmou o presidente. Em seu primeiro mandato, Trump reverteu boa parte das políticas de distensão com o regime adotadas por seu sucessor, Barack Obama, que visitou Havana em 2016 e se encontrou com o então presidente, Raúl Castro. De volta à Casa Branca, ele apertou o passo, com novas restrições e ameaças mais explícitas de mudança de regime. Cubana posa diante de cartaz comemorativo da visita do presidente dos EUA, Barack Obama, a Cuba Yuri CORTEZ / AFP A medida mais contundente veio em janeiro, dias depois da invasão americana a Caracas, que culminou com a captura do presidente Nicolás Maduro e a guinada pró-Washington dos chavistas que permaneceram no poder. Trump suspendeu os envios de petróleo venezuelano — principal fornecedor de Cuba — e agravou a crise já enfrentada pela ilha. O governo precisou reduzir atividades econômicas, decretar racionamentos e adotar um severo plano de contingência. Empresas aéreas suspenderam voos e o setor turístico, um dos pilares do PIB local, já sente o impacto. — Bem, é por causa da minha intervenção, intervenção que está acontecendo. Obviamente, caso contrário, eles não teriam esse problema. Cortamos todo o petróleo, todo o dinheiro… tudo que vinha da Venezuela, que era a única fonte — disse Trump, em entrevista ao portal Politico nesta quinta-feira. — Há quanto tempo vocês ouvem falar em Cuba, Cuba, Cuba, há 50 anos? E essa é uma das pequenas coisas para mim. Os EUA ainda ameaçaram impor sanções a países que exportem petróleo a Cuba e apreender petroleiros que tentem romper o embargo. Na semana passada, Washington anunciou que permitiria que empresas privadas adquirissem petróleo, desde que não repassem ou revendam o produto ao Estado. Ao mesmo tempo, deixava no ar a intenção de se livrar dos atuais dirigentes, através de uma intervenção armada, ou convencê-los a seguirem a sua cartilha. — O governo cubano está conversando conosco e está em uma situação muito difícil — disse Trump, em declarações na sexta-feira passada. — Eles não têm dinheiro. Não têm nada agora, mas estão conversando conosco e talvez possamos ter uma tomada de poder amigável em Cuba. 'Se morasse em Havana, estaria preocupado': Governo Trump sugere ampliar pressão sobre Cuba após operação contra Maduro Na Casa Branca, o presidente ainda celebrou a nova era de intervenções armadas dos EUA pelo mundo, a começar pela América Latina, região que tem destaque na nova política de segurança nacional americana. Ele não citou as alegações de que estaria violando a lei internacional. — Tivemos um sucesso tremendo de muitas maneiras diferentes. Eu construí e reconstruí as Forças Armadas no meu primeiro mandato, e estamos usando-as, mais do que eu gostaria, para ser honesto, mas quando as usamos, descobrimos que elas certamente funcionam — afirmou o presidente. — Quando olhamos para a Venezuela, quando olhamos para a Operação Martelo da Meia-Noite no Irã (em junho de 2025), que preparou o terreno para o que estamos fazendo agora, tem sido algo realmente incrível.