A Inteligência Artificial (IA) pode se tornar uma aliada fundamental na prevenção da extinção de espécies. Cientistas da Universidade do Maine desenvolveram um sistema capaz de prever ameaças a mais de 10 mil espécies de peixes de água doce em todo o mundo. A ferramenta, apresentada em fevereiro de 2026 na revista científica Nature Communications, analisa 52 variáveis diferentes, incluindo fatores ambientais e até aspectos socioeconômicos que podem representar riscos para cada espécie. Com base nessas análises, a IA consegue identificar antecipadamente possíveis ameaças, permitindo que pesquisadores e autoridades determinem o momento ideal para agir e adotar medidas de conservação antes que as previsões se concretizem. A pesquisa foi iniciada por Christina Murphy, vice-diretora da Unidade Cooperativa de Pesquisa de Peixes e Vida Selvagem do Maine do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), em 2020, no início do seu pós-doutorado. Além dessa, outras instituições ao redor do mundo colaboraram: a Universidade de Girona, na Espanha, o Serviço Geológico dos Estados Unidos e o Serviço Florestal americano. Os pesquisadores desenvolveram a ferramenta com o suporte de 12 bases públicas de dados globais, de forma que fosse possível obter informações suficientes para o funcionamento da IA. Inteligência Artificial promete transformar a reciclagem em algo lucrativo Inteligência Artificial pode evitar a extinção de mais de 10 mil espécies Reprodução/Pexels A Inteligência artificial é perigosa? Participe da discussão no Fórum TechTudo Como a ferramenta funciona Os pesquisadores tinham como objetivo central entender quais fatores podem tornar uma espécie mais vulnerável à extinção. Para isso, reuniram 12 bases públicas de dados globais, principalmente os da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), para alimentar a Inteligência Artificial. A ferramenta utiliza esses dados para analisar mudanças ao redor do planeta que possam afetar diferentes espécies, sendo capaz de proteger 10.631 espécies de peixes. Os aspectos analisados pela Inteligência Artificial são diversos e incluem desde mudanças naturais até as provocadas por ações humanas, inclusive algumas que parecem não afetar a vida marinha. Dentre as variáveis consideradas estão: indicadores socioeconômicos, como o Produto Interno Bruto (PIB); diversidade geomorfológica (formas de relevo) e hidrológica (circulação e distribuição de água); características biológicas das espécies; construção de barragens; poluição; ordem taxonômica; mudanças ambientais, como de clima e de disponibilidade de água ao redor do mundo, entre outras. Durante o estudo, os pesquisadores priorizaram utilizar variáveis e critérios de análise que não eram comumente adotados pela UICN, como forma de aprimorar fatores complementares pouco explorados, mas que podem auxiliar nas previsões. Desse modo, a IA é capaz de analisar com mais rapidez questões que, por meios tradicionais, poderiam demorar para serem estudadas, agilizando a detecção de ameaças. Conclusões acerca da vulnerabilidade de espécies A partir do auxílio da tecnologia, o estudo conseguiu reunir os principais aspectos que tornam uma espécie mais vulnerável à extinção, facilitando futuras análises. Em primeiro lugar, a preservação do habitat é essencial para não ameaçar a existência de espécies, visto que as não ameaçadas vivem em regiões estáveis e biologicamente saudáveis, com pouca intervenção humana. A preservação do habitat é essencial para não ameaçar a existência de espécies Reprodução/Pexels Apesar de essencial, o habitat não é o único fator importante. Outros aspectos naturais podem determinar o nível de ameaça em que cada espécie se encontra. Como a diversidade geomorfológica, ou seja, a variedade do relevo e a ordem taxonômica, que organiza seres vivos em grupos, e, nesse caso, espécies do mesmo grupo reagem de maneira similar a mudanças ambientais. Além disso, intervenções humanas também foram destacadas. Com impactos relacionados à economia, por exemplo, a construção de barragens ou prejuízos ao meio ambiente pela expansão da ocupação humana, que impactam diretamente no nível de vulnerabilidade de cada espécie. Impactos diretos da IA no meio ambiente Além de prever riscos, a Inteligência Artificial também sugere maneiras de evitar que eles se concretizem e ainda desenvolve medidas capazes de beneficiar diversas espécies simultaneamente. Desse modo, cientistas podem resolver questões antes mesmo de se tornarem problemas, algo que, além de salvar vidas marinhas, economiza tempo e recursos. Assim, a tecnologia faz com que autoridades tomem medidas antes mesmo de uma espécie entrar na lista de animais ameaçados. Segundo Christina Murphy, a ferramenta também analisa quais estratégias de conservação têm funcionado e sugere ações baseadas em outras experiências. Apesar disso, o modelo ainda deve ser aprimorado. Os pesquisadores pretendem aplicar a tecnologia a outras espécies, porém, por enquanto, não há dados suficientes para estender a operação. Com informações de O Globo e SCTD Essa matéria faz parte da iniciativa #UmSóPlaneta, união de 19 marcas da Editora Globo, Edições Globo Condé Nast e CBN. Conheça o projeto aqui Um Só Planeta Divulgação/Um Só Planeta Mais de Um Só Planeta Essa é a IA mais humana lançada até hoje? Testamos a Manus — e vimos problemas Essa é a IA mais humana lançada até hoje? Testamos a Manus — e vimos problemas