Donald Trump diz que vai participar da escolha do novo líder supremo do Irã Em entrevista à emissora norte-americana NBC nesta sexta-feira (6), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse não considerar enviar tropas ao Irã no momento. Mais cedo, em entrevista ao canal, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o país está preparado para uma possível invasão terrestre por tropas dos Estados Unidos. Também nesta sexta-feira, a Guarda Revolucionária Islâmica disse que o Irã está pronto para travar uma guerra prolongada. Analistas preveem que os EUA podem intensificar sua operação militar contra o Irã nos próximos dias, mas ainda não está claro se isso envolveria o envio de tropas terrestres em uma invasão destinada a derrubar a liderança em Teerã. Araghchi ainda afirmou que está "esperando" pela chegada das tropas americanas. "Assim podemos confrontá-los e isso seria um desastre para eles", disse o chanceler. "O sistema está funcionando, os comandantes foram substituídos e o líder supremo será substituído." O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, fala durante coletiva de imprensa em Istambul, no dia 22 de junho de 2025. Ozan Kose/AFP Novos armamentos Segundo o porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica, o país pretende introduzir armamentos avançados que ainda não foram vistos no campo de batalha. Em comunicado, o brigadeiro-general Ali Mohammad Naeini disse que os inimigos do Irã “devem esperar golpes dolorosos” na próxima nova onda de ataques. “As novas iniciativas e armas do Irã estão a caminho”, afirmou. “Essas tecnologias ainda não foram empregadas em larga escala.” Naeini acrescentou que o país está mais preparado agora do que durante a guerra de 12 dias do ano passado, lançada pelos Estados Unidos e por Israel. O porta voz descreveu o confronto militar em andamento como uma “guerra sagrada e legítima”. O anúncio foi feito no momento em que o Irã disparou o primeiro de seus chamados mísseis Khayber, tendo Tel Aviv como alvo. Trump diz preferir 'bom líder' Trump, disse a NBC que ter preferência por um "bom líder".Nesta quinta (5), o republicano elevou o tom da guerra com o Irã e falou que vai "precisar" se envolver pessoalmente na escolha do novo líder supremo – linha semelhante à vista no começo do ano com a Venezuela, quando uma intervenção americana tirou Nicolás Maduro da presidência. "Queremos participar do processo de escolha da pessoa que irá liderar o Irã no futuro. Não precisamos voltar a cada cinco anos e fazer isso de novo e de novo... Alguém que seja ótimo para o povo, ótimo para o país", declarou. Trump fala na Casa Branca em 03 de março de 2026 Mark Schiefelbein/AP Segundo Trump, Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, é o sucessor mais provável, mas afirmou que considera o resultado inaceitável. "O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz ao Irã. Eles estão perdendo tempo. O filho de Khamenei é um peso morto. Eu preciso estar envolvido na nomeação, como fiz com Delcy [Rodriguez] na Venezuela", disse Trump. O republicano declarou que se recusa a aceitar um novo líder iraniano que dê continuidade às políticas de Khamenei, as quais, segundo ele, forçariam os EUA a voltar à guerra "em cinco anos".