Policiais civis que foram alvo da operação deflagrada nesta quinta-feira (5) contra um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro teriam ajudado criminosos a manipular e ocultar provas de investigações, inclusive dentro de delegacias. É o que aponta decisão judicial da operação Bazaar, que foi deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo, Polícia Federal e a Corregedoria da Polícia Civil. O grupo alvo é composto de doleiros, advogados, policiais civis e operadores financeiros suspeitos de participar do esquema, que visava manipular e atrapalhar investigações, e até mesmo destruir provas, como mostra um episódio em que três alvos da operação teriam agido para substituir um HD cheio de evidências contra um grupo criminoso por um dispositivo inócuo. Segundo a decisão, Robson Martins de Souza, suspeito de ser um dos operadores do grupo criminoso, o advogado Marlon Antonio Fontana e um intermediador do grupo, Antônio Carlos Ubaldo Junior, agiram para substituir um HD com provas armazenado dentro do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), na região central da cidade de São Paulo. O HD teria sido apreendido em uma operação policial anterior, que investigava um grupo suspeito de lavagem de dinheiro. Robson e Marlon teriam agido em conjunto em outubro de 2022 para substituir o dispositivo, que continha provas contra a quadrilha, e teriam contado com o auxílio do investigador Roldnei Eduardo dos Reis Baptista. A operação teria sido bem sucedida. Em dezembro de 2022, mensagens de Marlon para Robson indicavam que a polícia teria analisado o HD e não encontrou nada comprometedor contra um cliente do advogado. Em janeiro de 2023, Marlon e Robson teriam voltado a discutir o uso da mesma estratégia em outra delegacia. Todos os citados anteriormente foram alvos de mandados de prisão preventiva e também de busca e apreensão nos endereços residenciais relacionados a cada suspeito. O juiz também ordenou o sequestro e bloqueio de bens no nome dos investigados. Além do policial Roldnei, do DPPC, outros policiais civis suspeitos de participar do esquema e alvos de mandados de prisão e bloqueio de bens na operação foram: Rogério Coichev Teixeira, do serviço aerotático da Polícia Civil João Eduardo da Silva, delegado do 16º DP Ciro Borges Magalhães Ferraz, escrivão do 16º DP O GLOBO tenta contato com as defesas dos citados. O espaço está aberto para manifestação. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que a Corregedoria da Polícia Civil participa da operação e que "a Polícia Civil não compactua com desvios de conduta por parte de seus integrantes e adotará todas as medidas legais e disciplinares cabíveis caso sejam confirmadas quaisquer irregularidades".