Discussão sobre federação com o PSOL causa racha no PT e Edinho vê ‘certa agressividade’ em reação

A possibilidade de o PT se federar com o PSOL de olho nas eleições de outubro provocou um racha no diretório nacional do partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A reação veio à tona após uma postagem feita nesta quinta-feira no grupo de Whatsapp do comando da sigla pela chefe de gabinete da presidência, Lígia Toneto. Em postagem nas redes sociais, o presidente Edinho Silva apontou uma “certa agressividade” nas discussões internas sobre o tema. Leia também: MDB Mulher divulga nota de repúdio contra anúncio de pré-candidatura de Dado Dolabella a deputado federal pelo Rio CPI do INSS: Ministro Flávio Dino, do STF, suspende quebra de sigilo de filho de Lula “Companheiros e companheiras, muito importante reforçarmos este movimento que está sendo puxado pelos companheiros do PSOL em apoio à Federação de Esquerda”, escreveu Ligia, no começo da tarde. Em seguida, de acordo com dirigentes petistas, houve uma sequência de mais de dez mensagens contra a proposta. O principal argumento é que o tema não foi discutido nas instâncias partidárias. “Estimular ou apresentar movimentos externos como se fossem um caminho já consolidado, ainda mais quando puxados por outra organização partidária, não contribui para o método coletivo que sempre caracterizou a construção das decisões no PT”, respondeu Saulo Dias, secretário nacional de meio ambiente do partido, no grupo. A dirigente Natália de Sena Alves se queixou da falta de debate interno. “Não debatemos internamente esse assunto. É um erro esse fato consumado que se criou. Sou contra e espero ter o direito de votar na minha posição”, escreveu. Logo depois, Edinho postou um vídeo no Instagram sobre o assunto, o que foi lido internamente como uma reação às mensagens publicadas no grupo de Whatsapp. O presidente do PT diz que o tema tem “gerado muita polêmica”. — Acho que até uma polêmica desnecessária, não que o debate não seja necessário. Mas esse ambiente de polêmica, de uma certa agressividade, isso é desnecessário. Edinho argumenta que os partidos conservadores estão se juntando no Congresso e isso exige uma resposta das legendas de esquerda. Afirma ainda que o debate sobre o futuro do país tem ocorrido na Câmara e, por isso, é necessário um agrupamento para responder ao cenário desfavorável atual. O PSOL deve deliberar no sábado sobre a possibilidade de federação com o PT. O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, defende a união, mas há uma ala da sigla que rejeita a ideia.