Grygory Gladysh, um aposentado e último ocupante de um prédio residencial da era soviética bombardeado no nordeste da Ucrânia, testemunhou o êxodo de sua família e de seus vizinhos de sua cidade natal industrial. Marido de deputada escocesa suspeito de espionagem para a China é solto sob fiança no Reino Unido Vídeo: Avião faz pouso forçado em bairro residencial e atinge duas casas nos EUA O homem de 79 anos se abrigou enquanto as tropas russas cercavam sua cidade, Kharkiv, no nordeste do país, em 2022, bombardeando-a com artilharia logo no início da invasão. Ele permaneceu no local durante três invernos rigorosos, praticamente sozinho. Quatro anos após o início da guerra, ele é o único morador de um imponente bloco de apartamentos no distrito norte da cidade, pontilhado por carcaças carbonizadas de prédios tornados inabitáveis pelos ataques russos. Ele vive de rações alimentares, não tem aquecimento nem acesso a água corrente — e tampouco qualquer motivação para procurar refúgio em outro lugar. “E para onde eu iria?”, disse à AFP de seu apartamento, cercado por potes e utensílios de cozinha. Milhões de ucranianos foram deslocados internamente ou buscaram refúgio no exterior desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022, desencadeando a guerra mais sangrenta na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. A própria esposa e a filha de Gladysh fugiram de Kharkiv — a segunda maior cidade da Ucrânia, localizada perto da fronteira com a Rússia — e se mudaram para a Holanda quando a guerra começou. Mas muitos nas áreas da linha de frente permanecem onde estão, particularmente moradores idosos que acreditam não ter meios para começar uma nova vida em outro lugar. “Não sei o que levar daqui nem como transportar”, disse Gladysh. Muitos de seus parentes da aldeia onde ele cresceu, no oeste da Ucrânia, já faleceram. “Se eu fosse embora, teria que ir para a aldeia.” ‘Um pouco de tudo’ A vida em Saltivka, subúrbio ao norte de Kharkiv, era caótica e ensurdecedora quando as tropas russas cruzaram a fronteira com a Ucrânia. “Eles chegaram em veículos blindados... E então a defesa começou”, disse Gladysh. Por mais de dois meses, as forças ucranianas resistiram ao ataque russo a Kharkiv, posicionando-se no telhado do prédio — que acabou desabando durante os combates. Segundo ele, as pessoas começaram a deixar o local após a batalha, que deixou muitos moradores sem eletricidade. “O elevador parou de funcionar porque projéteis explodiram e atingiram o poço do elevador”, acrescentou. “Agora não há motores, nada.” A vida desde que sua família e os vizinhos partiram tem sido solitária. O antigo pintor agora depende das visitas de moradores da região para se sustentar. “Nós nos cumprimentamos, nos abraçamos e conversamos.” Às vezes eles trazem água para ele; em outras ocasiões, ele próprio precisa buscá-la com um balde. Ele também recebe rações de comida. Um dia antes de falar com a AFP, recebeu macarrão, cereal, óleo de girassol e um pouco de leite condensado — “um pouco de tudo”. ‘O que há para fazer?’ Em um dia típico, ele vai para o quarto e fica olhando o celular. Disse que lê, mas evita assistir televisão. “O que há para fazer? Na nossa idade, não há nada para fazer." Sua esposa, Natasha, tentou convencê-lo a se juntar a ela na Holanda, onde ela e a filha vivem como refugiadas, mas ele recusou. “Você não conhece o idioma e vai ficar vagando por aí como uma ovelha, sem nunca aprendê-lo”, disse. Gladysh cresceu em uma vila agrícola na região de Khmelnytsky, no oeste da Ucrânia, e se formou como motorista de trator. Em vez disso, foi recrutado para o exército soviético e acabou em uma fábrica em Kharkiv, onde montava tanques. Mais tarde, conseguiu emprego como pintor de casas, trabalho que manteve até se aposentar, aos 60 anos. Ele não sabe quando a guerra terminará nem o que acontecerá depois. “Não há fim à vista. Veja o que está acontecendo. Ninguém disse nada inteligente ainda — nem a Rússia, nem a Ucrânia. Ninguém.”