Com o início do semestre letivo, a UFF retomou os pontos de coleta de óleo de cozinha usado em seus campus. A iniciativa, que foi lançada em agosto do ano passado, integra o projeto Omìayê (água da terra, em iorubá), desenvolvido pelo Instituto Singular — Ideias Inovadoras, e prevê a transformação do resíduo em sabão biorremediador produzido na comunidade da Mangueira, na Zona Norte do Rio. A iniciativa estimula ainda o descarte correto dos resíduos e tem como objetivo fortalecer a parceria com a universidade ao oferecer uma alternativa sustentável. Política pública: Niterói completa um ano sem feminicídios ShotSpotter: Mapeamento de tiros em tempo real tem evitado crimes em Niterói; entenda O material recolhido é encaminhado para a EcoFábrica Omìayê, também localizada na comunidade carioca, onde passa por tratamento antes de se transformar no chamado Sabão Biorremediador Omì. Segundo a professora Cintia de Melo de Albuquerque Ribeiro, coordenadora do projeto e docente da UFF, o produto é fruto de uma combinação de microrganismos não patogênicos, já presentes no ambiente, que são liberados quando o produto é utilizado no dia a dia e alcançam a rede de esgoto. Nesses ambientes, passam a atuar na degradação da matéria orgânica, contribuindo para a redução de odores e para a melhoria gradual da qualidade do efluente e da água em corpos hídricos que recebem despejo irregular. — A biorremediação é uma técnica amplamente reconhecida pela comunidade científica e constitui a base dos sistemas convencionais de tratamento de esgoto no mundo. No nosso caso, utilizamos microrganismos seguros e selecionados, potencializando processos naturais já existentes, sem introduzir espécies exóticas. Além das evidências científicas consolidadas, realizamos testes próprios que demonstram a redução de indicadores como DBO e DQO, melhora nos níveis de oxigênio dissolvido e diminuição de coliformes fecais, o que reforça o potencial da tecnologia como solução complementar em áreas onde o saneamento ainda é insuficiente— afirma a professora. Os pontos de coleta estão disponíveis para estudantes, professores, funcionários e moradores do entorno da universidade. O óleo deve ser armazenado em garrafas PET bem fechadas que podem ser entregues nos campus do Valonguinho, do Gragoatá e da Praia Vermelha. — A volta às aulas é um momento estratégico para reforçar a educação ambiental na prática. Com os pontos de coleta de óleo na UFF, aproximamos a comunidade acadêmica de uma solução concreta para um problema cotidiano, transformando um resíduo altamente poluente em um produto que gera impacto socioambiental positivo. Essa parceria mostra como universidade, ciência e território podem caminhar juntos na construção de um modelo de sustentabilidade educativo, replicável e socialmente justo — pontua Gabriel Pizoeiro, diretor do Instituto Singular Ideias Inovadoras. Ele ressalta que todo o sabão produzido pela fábrica na comunidade é confeccionado por mão de obra feminina. Initial plugin text