'Semáforo do toque': entenda como campanha educativa encorajou menina de 10 anos a denunciar abuso sexual do padrasto em MG

Menina denunciou o abuso a uma professora. Reprodução g1 Uma menina de 10 anos denunciou o abuso sexual cometido pelo padrasto após participar de uma campanha educativa conhecida como “Maio Laranja”, promovida pela escola em Campina Verde, no Triângulo Mineiro. Entre as ações estava o "semáforo do toque", que mostra às crianças onde adultos podem ou não tocá-las. Entenda abaixo. A iniciativa, realizada em parceria com a Polícia Militar (PM), busca conscientizar e prevenir a violência sexual contra crianças e adolescentes. Segundo o delegado responsável pelo caso, Fúlvio Sampaio, durante as atividades da campanha a menina confidenciou a duas amigas o que acontecia em casa. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp As colegas, ao compreenderem que a situação não era normal, levaram o relato às professoras, que chamaram a vítima para uma conversa reservada. Em lágrimas, a criança contou que o padrasto passava as mãos em suas partes íntimas. A escola acionou o Conselho Tutelar, que comunicou o Ministério Público e encaminhou o caso à Polícia Civil. Atualmente, a menina vive com o pai por determinação judicial e recebe acompanhamento. O padrasto, de 38 anos, foi preso na manhã de quinta-feira (5) suspeito de estupro de vulnerável. A mãe da criança não tinha conhecimento dos fatos. Semáforo do Toque PCMG/Divulgação De acordo com o delegado, muitas denúncias surgem justamente após orientação nas escolas, quando as crianças passam a reconhecer a situação de risco e se sentem mais seguras para falar sobre o assunto. “É bem comum. Essas crianças são inocentes e não conversam sobre isso em casa. Então, quando abordamos o tema, com questões ainda do semáforo do toque, é que elas começam a se despertar para o assunto”, explicou Sampaio. A ação semáforo do toque utiliza as cores do semáforo de trânsito para ensinar limites do corpo: verde para toques permitidos, amarelo para atenção e vermelho para toques proibidos. A metodologia, aplicada pela Polícia Militar junto à comunidade escolar, facilita a compreensão das crianças sobre o respeito ao próprio corpo. "Semáforo do toque": entenda exercício que ajuda a evitar violência sexual infantil Quando ocorreram os abusos Segundo o delegado, os crimes aconteciam dentro da casa onde a vítima morava com a mãe e o padrasto. Os abusos começaram no fim de 2024 e se estenderam ao longo de 2025. A mãe da criança não tinha conhecimento dos fatos. Antes mesmo da campanha em maio de 2025, a menina procurou uma professora para uma conversa reservada, mas diante da gravidade do relato, a educadora interrompeu a narrativa e encaminhou a aluna à supervisão escolar para que fossem adotadas providências institucionais. As professoras que acompanharam a criança durante o ano letivo de 2025 relataram que ela era tímida e apresentava dificuldades de aprendizagem, além de demonstrar carência afetiva. Após passar a morar com o pai, perceberam mudanças significativas com a menina se tornando mais aberta e comunicativa. Indícios confirmam o crime, diz delegado A Justiça autorizou o pedido de prisão preventiva feito pela Polícia Civil. O mandado foi cumprido e o homem levado para o Presídio de Iturama. Durante a investigação, foram reunidas provas, depoimentos da vítima e de testemunhas, além de laudo pericial compatível com violência sexual. O suspeito nega as acusações. “O padrasto nega, porém há evidências no celular dele de tentativas de apagar registros, bem como de fetiche com vídeos semelhantes. Além disso, a oitiva da vítima, do pai e dos professores evidenciam a ocorrência do fato de forma detalhada e harmônica”, afirmou o delegado. O celular do investigado foi apreendido e será periciado. A Polícia Civil informou que a investigação ainda não foi concluída. O Ministério Público também instaurou procedimento investigativo. O Conselho Tutelar foi acionado e começou a acompanhar a criança. Atualmente, a menina está morando com o pai por determinação judicial. LEIA TAMBÉM: Suspeito de estupro durante roubo é preso por tráfico Saiba como menina será acompanhada pelo Conselho Tutelar após estupro Menina alega toque sem consentimento e adolescente é apreendido Homem suspeito de estupro em Campina Verde Polícia Civil/Divulgação * Estagiário sob supervisão de Guilherme Gonçalves. VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas