Nova droga combinada com caneta emagrecedora reduz gordura enquanto preserva músculos em estudo

O bimagrumabe, uma nova droga experimental, elevou a perda de peso e preservou a massa muscular quando aplicada em conjunto com a semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, medicamentos para diabetes e obesidade da Novo Nordisk. Os resultados são de um estudo de fase 2, das três dos testes clínicos, publicado nesta semana na revista científica Nature Medicine. A nova molécula é um anticorpo que bloqueia as vias de sinalização de um receptor no tecido muscular esquelético chamado de activina. Esse receptor é responsável por promover a perda de massa muscular, evitando hipertrofia excessiva. Esse mecanismo tem sido testado para diversas doenças, como a sarcopenia, e, mais recentemente, para preservar os músculos durante o uso dos análogos de GLP-1, classe de fármacos que tem revolucionado o tratamento da obesidade. No novo estudo, 507 adultos com obesidade e sem diabetes foram divididos em grupos que receberam placebo, diferentes doses do bimagrumabe, da semaglutida ou de uma combinação de ambos. O tratamento durou 72 semanas, cerca de um ano e meio. As doses de bimagrumabe foram administradas de forma intravenosa a cada 12 semanas, enquanto as doses de semaglutida foram injetadas semanalmente. Ao fim do período, aqueles que receberam apenas a dose mais alta do bimagrumabe perderam cerca de 10,8% do peso. O percentual é mais que o dobro que a redução de 4,2% observada no grupo placebo, mas ficou abaixo do observado com a semaglutida, de 15,7%. No entanto, aqueles que receberam uma combinação dos dois medicamentos tiveram uma diminuição de 22,1% do peso corporal. Além disso, somente 71,8% da perda de peso dos participantes que utilizaram apenas a semaglutida foi de massa de gordura, e o resto de músculos. Já entre os que receberam só o bimagrumabe, 100% da redução foi de gordura, e a massa magra na realidade aumentou 2,5%. Enquanto isso, entre os que receberam a combinação dos fármacos, 92,8% do peso perdido foi de gordura, e a massa muscular foi amplamente preservada. Eventos adversos comuns do bimagrumabe incluíram espasmos musculares, diarreia e acne, e a semaglutida foi associada a náusea, diarreia, constipação e fadiga. As reações foram consistentes com as já conhecidas de ambos os medicamentos. O líder do estudo, pesquisador Steven Heymsfield, do Centro de Pesquisa Biomédica Pennington, nos Estados Unidos, explica que, embora os análogos de GLP-1, como a semaglutida e a tirzepatida, do Mounjaro, sejam altamente eficazes, até 40% do peso perdido com os remédios pode vir da massa magra. O novo estudo mostra que a combinação com o bimagrumabe pode mudar esse cenário, diz ele, que é também professor da Universidade do Estado da Luisiana, onde dirige o Laboratório de Metabolismo e Composição Corporal: “O tratamento da obesidade tradicionalmente se concentrou no número mostrado na balança. Pacientes com obesidade que estão em risco de baixa massa muscular, o que afeta tanto a função física quanto a metabólica, podem se beneficiar de tratamentos que maximizem a redução da massa de gordura enquanto preservam o músculo esquelético. Bimagrumabe e semaglutida atuam por vias biológicas distintas e, quando combinados, observamos não apenas preservação da massa magra, mas também uma redução adicional da massa de gordura que superou o que cada terapia alcançou isoladamente”. Além disso, os participantes apresentaram redução de até 83% na proteína C reativa de alta sensibilidade (hsCRP), um marcador importante de inflamação ligado ao risco cardiovascular, e aumento substancial da adiponectina, um hormônio proteico que favorece a sensibilidade à insulina, o metabolismo da gordura e processos anti-inflamatórios. Em um subgrupo de participantes com indicadores de pré-diabetes, aqueles que receberam os dois medicamentos tiveram reversão para níveis normais de açúcar do sangue em praticamente 100% dos casos. O medicamento segue em estudos até completar as três fases dos testes clínicos. Os pesquisadores afirmam que, mesmo tendo demonstrado um perfil de segurança favorável, é importante compreender melhor os eventos adversos comuns observados nos grupos que receberam bimagrumabe, como acne leve a moderada e espasmos musculares. O bimagrumabe foi desenvolvido inicialmente pela farmacêutica Novartis, mas foi adquirido pela Versanis Bio. Logo depois, a Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, comprou a Versanis, que financiou o estudo. Por isso, o trabalho envolveu a semaglutida, do Wegovy, e não a tirzepatida, do Mounjaro. Mas a Eli Lilly conduz agora testes que avaliam a combinação do bimagrumabe com a tirzepatida entre pacientes com obesidade, e os resultados são esperados para esse ano. A expectativa é alta porque o Mounjaro promove uma perda de peso maior que o Wegovy.