Guerra no Irã: com escassez de petróleo, países asiáticos reduzem expediente do governo e já cogitam home office mandatório

Com as tensões no Oriente Médio pressionando para cima os custos globais do petróleo e do gás e a consequente escassez dos combustíveis, os países asiáticos já estão adotando medidas para economizar energia e garantir o fornecimento do produto. No Brasil: Petrobras evitará passar volatilidade do preço do petróleo a consumidor, afirma presidente da companhia Na bomba: Entidades do setor alertam para alta nos preços da gasolina e do diesel no Brasil O presidente das Filipinas, Ferdinand Marcos Jr., anunciou que os escritórios do governo passarão a operar com semana de trabalho de quatro dias a partir de segunda-feira, na tentativa de o país do Sudeste Asiático gastar menos energia. Em uma mensagem em vídeo divulgada nesta sexta-feira, Marcos disse que a semana de trabalho mais curta será temporária e não se aplicará a quem presta serviços de emergência, incluindo policiais, bombeiros e outras agências que fornecem serviços essenciais ao público. Ele também ordenou que todas as agências governamentais reduzam o uso de eletricidade e os gastos com combustível entre 10% e 20%. —Todas as viagens e atividades não essenciais do governo também estão temporariamente proibidas, como viagens de estudo, atividades de integração de equipes ou reuniões que possam ser realizadas on-line — disse Marcos. Initial plugin text A nação do Sudeste Asiático, que tem hoje 117 milhões de habitantes, importa quase todo o petróleo que consome, e a guerra no Irã pode impulsionar a inflação, que já atingiu o nível mais alto em 13 meses em fevereiro. — Meus compatriotas, não sabemos quando o caos no Oriente Médio terminará. Somos vítimas de uma guerra que não escolhemos nem desejamos. Não podemos controlar a guerra, mas podemos controlar como protegeremos o povo filipino — acrescentou o presidente. Em 'nova fase' da guerra: Israel lança mais ataques contra Teerã e Beirute; acompanhe ao vivo a cobertura do GLOBO As Filipinas são amplamente vistas por economistas como um dos países mais vulneráveis da região Ásia-Pacífico aos riscos de inflação e desaceleração do crescimento provocados pelo conflito no Oriente Médio. O arquipélago “tende a sofrer um impacto inflacionário maior porque os preços do combustível no varejo são mais determinados pelo mercado e os subsídios são limitados”, disse Deepali Bhargava, chefe regional de pesquisa do ING Bank NV. A Câmara de Comércio e Indústria das Filipinas havia alertado que a semana de trabalho de quatro dias poderia afetar significativamente a indústria, um dos pilares da economia. — Temos operado com recursos limitados e reduzir ainda mais o número de dias de trabalho pode afetar nossos compromissos — disse Perry Ferrer, presidente da entidade, antes do anúncio de Marcos desta sexta-feira. Efeito: Tarifaço de Donald Trump impacta exportações da Embraer, e lucro em 2025 cai 45% No início desta semana, o governo Marcos ordenou que os escritórios públicos ajustassem o ar-condicionado para não menos de 24°C (75°F) e adotassem arranjos de trabalho flexíveis para ajudar a economizar combustível. O presidente filipino reiterou nesta sexta-feira que está buscando autorização emergencial do Congresso para reduzir impostos sobre produtos petrolíferos. Outras autoridades também anunciaram medidas de economia de energia. A vice-presidente Sara Duterte pediu a seus apoiadores que evitem organizar carreatas ou comboios de veículos ao protestarem contra Marcos, seu rival político. O prefeito de Manila determinou que o governo da cidade reduza o consumo de combustível realizando reuniões on-line, desligando a energia às 17h e proibindo viagens não essenciais. Algumas agências governamentais disseram que fornecerão subsídios de combustível para pescadores, agricultores e motoristas de transporte público. Também existe um aplicativo que permite aos cidadãos fixar antecipadamente os preços da energia. Tim Gonzales, um profissional de marketing on-line de 30 anos que possui um SUV para sua família de quatro pessoas, disse que usou o aplicativo para comprar cerca de 300 litros de diesel. — Posso comprar litros de combustível virtual antecipadamente e travar o preço atual — explicou Gonzales, que usa o aplicativo desde 2022 e criou uma comunidade no Facebook para ajudar seus mais de 16 mil membros a enfrentar os preços elevados: — Esses litros vão nos sustentar por alguns meses. BID calcula: Reservas brasileiras de terras-raras equivalem a quase duas vezes o PIB nacional Outros estão lidando com a situação de maneiras diferentes. Rowena Brucal administra uma cantina escolar no distrito financeiro de Makati. O estabelecimento consome cerca de dois botijões de gás liquefeito de petróleo em quatro dias. Embora ela não possa fazer nada sobre a alta dos preços, começou a economizar reduzindo a quantidade de comida em cada porção. —Também apagamos as luzes quando não há clientes, porque reduzir o consumo é o caminho — disse ela. Outros países adotam medidas emergenciais Taiwan Maior fabricante mundial de chips avançados de computador, Taiwan depende de importações para mais de 90% de suas fontes de energia fóssil. Na quinta-feira, Taipé informou que seus estoques de gás natural liquefeito (GNL) devem durar até o fim do mês e que espera garantir suprimentos suficientes para abril. O governo pretende antecipar carregamentos de GNL vindos dos Estados Unidos e da Austrália, além de aumentar as compras no mercado à vista (spot). Japão O Japão, a quarta maior economia do mundo e um importante produtor de bens de alta tecnologia, está criando um escritório especial do governo em Tóquio para administrar questões relacionadas ao abastecimento de energia. Coreia do Sul Já o governo da Coreia do Sul afirmou que ativará protocolos emergenciais de energia para lidar com interrupções no fornecimento. Essas medidas incluem ampliar o financiamento para a compra de petróleo bruto de outras regiões, por meio de empréstimos e garantias de crédito, e possivelmente também permitir a liberação de reservas estratégicas. A Coreia do Sul importa cerca de 70% de seu petróleo bruto e 20% de seu GNL do Oriente Médio, quase tudo transportado pelo Estreito de Ormuz, que se encontra fechado. Paquistão O Paquistão, que faz fronteira com o Irã, também depende de embarques que passam pelo Estreito de Ormuz para a maior parte de suas importações de petróleo e gás. As autoridades dizem ter estoques de gasolina e diesel suficientes para cerca de um mês, mas apenas 10 dias de petróleo bruto. Entre as medidas de economia consideradas estão tornar obrigatório o trabalho remoto e aulas universitárias on-line, além de reduzir o fornecimento de gás para fábricas de fertilizantes. Initial plugin text