Invasor do Capitólio perdoado por Trump é condenado à prisão perpétua por abuso sexual infantil

Um homem da Flórida que havia sido perdoado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por sua participação no ataque ao Capitólio dos Estados Unidos em 6 de janeiro de 2021 foi condenado à prisão perpétua após ser considerado culpado de abusar sexualmente de duas crianças. Vídeo: operário fica pendurado em plataforma em chamas e cai após incêndio em caminhão nos EUA 'AK-47 dos céus': conheça drone iraniano de baixo custo que mudou paradigma da guerra Andrew Paul Johnson, de 45 anos, foi sentenciado nesta quinta-feira, após ter sido condenado em fevereiro por cinco acusações criminais, incluindo molestação de uma criança menor de 12 anos e outra menor de 16, exposição obscena e transmissão eletrônica de material prejudicial a um menor, segundo promotores do Quinto Circuito Judicial da Flórida. Registros judiciais indicam que Johnson foi preso em julho de 2025 depois que o escritório do xerife do condado de Hernando recebeu um relato de que “dois menores haviam sido vítimas de atos lascivos ao longo de vários meses”. Quando agentes foram a uma residência em Brooksville, cerca de 80 quilômetros ao norte de Tampa, a mãe de uma das vítimas informou que as duas crianças admitiram ter sido “tocadas de forma inapropriada por Johnson”. Uma das vítimas relatou aos investigadores que o abuso começou por volta de abril de 2024, quando tinha 11 anos. De acordo com os autos, Johnson também tentou silenciar uma das crianças alegando que receberia “US$ 10 milhões” (aproximadamente R$ 50 milhões) do governo Trump como compensação aos réus do 6 de janeiro e que deixaria parte do dinheiro para a vítima em testamento. Leia também: Enfermeira condenada a 23 anos por homicídio em Portugal é detida na Indonésia, diz mídia internacional “Acredita-se que ele usava desta tática para impedir que as crianças expusessem o que ele havia feito”, dizem os registros judiciais. Promotores afirmam que o acusado também comprava presentes e comida para uma das vítimas na tentativa de impedir que o caso fosse denunciado. A criança contou aos investigadores que Johnson “mandou não contar para ninguém para assim evitar que ele entrasse em problemas”. Durante a investigação, autoridades encontraram diversas mensagens sexualmente explícitas trocadas entre Johnson e uma das vítimas na plataforma de mensagens Discord. “Nas mensagens, Johnson tentava fazer a vítima baixar outro applicativo para uma conversa mais privada e encorajava a vítima a apagar as mensagens anteriores”, informou o escritório do promotor estadual em comunicado. Momento fofura: veja fotos da Crufts, maior competição canina do mundo que reúne milhares de cães no Reino Unido Participação no ataque ao Capitólio Antes da condenação por abuso, Johnson já havia sido sentenciado por seu envolvimento no ataque ao Capitólio, episódio ocorrido em 6 de janeiro de 2021. Em agosto de 2024, ele recebeu pena de um ano de prisão após se declarar culpado por entrar e permanecer em prédio restrito e por conduta desordeira. Segundo promotores federais, Johnson participou do comício “Stop the Steal”, realizado perto da Casa Branca, e marchou até o Capitólio carregando um megafone, dizendo: “Temos um trabalho a cumprir!.” De acordo com registros do tribunal, ele entrou no prédio escalando uma janela de escritório quebrada e incitou outros manifestantes a segui-lo. Imagens do episódio o mostram dentro do edifício gritando: “Não conquistamos nada ainda! Precisamos passar por aquela porta! Não acabamos por aqui!” Após retornar à presidência em 2025, Trump concedeu perdões ou comutou penas para mais de 1.500 pessoas acusadas de participação no ataque, afirmando que a medida iniciaria “um processo de reconciliação nacional”. No entanto, uma análise publicada em dezembro de 2025 pela organização Citizens for Responsibility and Ethics in Washington apontou que pelo menos 33 réus perdoados ou beneficiados por medidas de clemência foram novamente presos, acusados ou condenados por outros crimes desde então. Entre os casos mais notórios está o de Christopher Moynihan, acusado de enviar mensagens ameaçando matar o líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, e o de Zachary Jordan Alam, preso novamente após supostamente invadir uma casa e roubar objetos pessoais.