'Passei nove anos batalhando para condenar', diz mãe de adolescente após júri inocentar ex-PM do trisal

Adolescente Fernando de Jesus, de 13 anos, foi morto a tiros em 2017 Arquivo pessoal A mãe do adolescente Fernando de Jesus, morto aos 13 anos em 2017, disse estar arrasada após a absolvição do ex-sargento da Polícia Militar do Acre (PM-AC) Erisson de Melo Nery, decidida pelo júri popular na quinta-feira (5), em Rio Branco. Contexto: Erisson Nery respondia o processo desde 24 de novembro de 2017 quando, segundo a denúncia, matou o adolescente com pelo menos seis tiros, no intuito de 'fazer justiça pelas próprias mãos', após o menor tentar furtar itens da casa de Nery. O caso foi julgado em 2024, onde ele foi condenado, mas depois o júri foi anulado a pedido da defesa e remarcado para março. Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Ao g1, Ângela Maria de Jesus afirmou que lutou para que o ex-militar fosse condenado, e que recebeu o resultado do julgamento com tristeza. “Saber que ele matou meu filho do jeito que matou e ficar livre, como se nada tivesse acontecido, qualquer mãe ficaria arrasada. Foram nove anos batalhando para condenar ele, mas infelizmente ele saiu ileso dessa”, lamentou. Após sentença ser anulada, ex-sargento do trisal enfrentou novo júri por matar adolescente O julgamento iniciou às 8h na 1ª Vara do Tribunal do Júri na última quinta-feira (5) e contou com cinco testemunhas arroladas pelo Ministério Público (MP-AC), além de dez de defesa. A absolvição foi confirmada também pelo advogado do Wellington Silva. "Alegamos a tese de legítima defesa, ficou comprovada a inexistência do crime de fraude processual do júri passado, então, o Nery chegou neste júri só pelo homicídio", resumiu. Mesmo após a morte de Fernando, a mãe afirmou que tentou buscar justiça ao longo dos anos, apesar das dificuldades. “Ele tinha condições de pagar advogado particular, eu não tinha, então para mim as coisas ficam bem mais difíceis. Mas eu tentei, tentei. Agora é seguir em frente. A justiça de Deus não falha”, completou. LEIA MAIS: Ex-sargento do trisal é inocentado novamente por morte de adolescente de 13 anos no Acre Família de adolescente morto por ex-PM do AC pede aumento de pena e indenização de mais de R$ 2 milhões Ex-sargento da PM é pronunciado a júri popular por morte de adolescente de 13 anos durante assalto no Acre Quem é Érisson Nery, ex-sargento conhecido por trisal e acusado de assassinato no AC Erisson de Melo Nery foi absolvido novamente pela morte de Fernando de Jesus, de 13 anos, em 2017 Arquivo pessoal Condenação e anulação da sentença Erisson Nery havia sido condenado a oito anos em regime semiberto no dia 23 de novembro de 2024. O outro denunciado, Ítalo de Souza Cordeiro, foi absolvido pelo crime de fraude processual na mesma decisão assinada pelo juiz Robson Ribeiro Aleixo. Contudo, em maio de 2025, os desembargadores da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) anularam a sentença. A decisão acolheu um recurso da defesa de Nery. Os advogados alegaram que o Ministério Público do Acre (MP-AC) utilizou provas que não constavam nos autos e que, por isso, a condenação não foi justa. Em razão disto, um novo júri foi remarcado. Ex-sargento Erisson Nery deixa prisão após quase dois anos O caso Conforme a denúncia, na manhã do dia 24 de novembro de 2017, Nery matou o adolescente com pelo menos seis tiros, no intuito de 'fazer justiça pelas próprias mãos'. O caso ocorreu no Conjunto Canaã, bairro Areal, em Rio Branco. Após o homicídio, ainda segundo a denúncia, Nery e o colega de farda Ítalo Cordeiro alteraram a cena do crime, lavando tanto o corpo da vítima quanto os arredores do local onde estava caído, para poder alegar que agiu em legítima defesa. O ex-sargento foi ouvido em audiência de instrução em agosto de 2022 na 1ª Vara do Tribunal do Júri. Em entrevista exclusiva ao g1, a mãe de Fernando, Ângela Maria de Jesus, relatou a curta trajetória de seu filho e disse que mesmo Fernando sendo dependente químico, o menino nunca foi agressivo, não estava armado e tinha porte de criança, não apresentando perigo ao ex-policial. Confira detalhes aqui. Erisson Nery, a PM Alda Radine e a administradora Darlene Oliveira formam um trisal Reprodução Trisal e outras polêmicas Nery ficou nacionalmente conhecido após assumir um trisal com outras duas mulheres, em 2021. Alda e Nery, que estavam juntos desde 2000, se apaixonaram por Darlene e resolveram mostrar o dia a dia nas redes sociais por meio do perfil que ganhou o nome de "Três Amores". Cada dia mais o casal ficava mais famoso e dividia opiniões na internet. No final de novembro de 2021, o trisal viu a vida virar de cabeça para baixo. O ex-PM apareceu em um vídeo atirando no estudante Flávio Endres após uma briga em uma casa noturna de Epitaciolândia, onde estava acompanhado de Darlene e Alda. O estudante levou ao menos quatro tiros, ficou com sequelas em uma das mãos e chegou a ficar nove dias internado no Pronto-Socorro de Rio Branco após uma cirurgia no abdômen. O ex-militar foi preso em novembro de 2021 e, neste crime, foi condenado por tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido e lesão corporal grave. A condenação referente ao caso, em torno de nove anos em regime semiaberto, ocorreu em setembro do ano passado. Reveja os telejornais do Acre