O grupo de mídia Axel Springer, da Alemanha, anunciou ontem que fechou um acordo para comprar o Telegraph Media Group, do Reino Unido, por £575 milhões (US$ 766 milhões). Se o negócio for aprovado por reguladores, Mathias Döpfner, o bilionário CEO do grupo alemão, expandirá sua atuação para o mercado britânico ao comprar um dos jornais mais antigos do país. Setor farmacêutico: EMS compra Medley em acordo avaliado em R$ 3,2 bi e consolida liderança no segmento de genéricos Magda Chambriard: presidente da Petrobras diz que 'quem apostar contra vai perder' O acordo encerra cerca de três anos de incertezas e disputas políticas em torno do jornal londrino de linha conservada, que outrora contou com nomes como os primeiros-ministros Winston Churchill e Boris Johnson como colaboradores. A transação também une duas das marcas de mídia conservadoras mais influentes da Europa. Döpfner está empenhado em transformar a Axel Springer em uma potência global. O grupo de mídia, que já é proprietário dos alemães Bild e Die Welt e dos americanos Politico e Business Insider, busca expandir-se tanto na Europa quanto nos Estados Unidos. O acordo com o Telegraph frustra uma oferta concorrente do grupo de jornais britânico Daily Mail & General Trust Plc. A propriedade do The Telegraph é um assunto delicado no Reino Unido, onde os jornais impressos tendem a se alinhar estreitamente com determinados partidos políticos. Dopfner afirmou que pretende expandir o jornal, preservando sua identidade e ajudando-o a se tornar “o veículo de mídia de centro-direita mais lido e intelectualmente inspirador do mundo anglófono”. Mathias Döpfner, CEO da alemã Axel Springer. Expansão na Europa alinhada com a direita David Paul Morris/Bloomberg “O Telegraph sempre defendeu a liberdade, a responsabilidade pessoal, os valores democráticos e a crença em sociedades abertas e economias de mercado”, escreveu Döpfner em um memorando para a equipe do Politico, visto pela Bloomberg News. Esses valores se alinham com o apoio da Axel Springer a Israel , os laços estreitos entre a Europa e os EUA e a “economia de livre mercado”, escreveu ele. A propriedade do Telegraph está indefinida há vários anos, já que possíveis acordos foram alvo de escrutínio político. O processo de licitação começou em 2023, quando a família Barclay, proprietária do título há quase duas décadas, concordou em ceder o controle em troca de um empréstimo de 600 milhões de libras para quitar dívidas. Na época, o acordo também incluía o Spectator, a revista semanal mais antiga do mundo ainda em circulação. O bilionário do ramo de fundos de hedge, Paul Marshall, acabou adquirindo o título. Uma tentativa da RedBird IMI, uma joint venture entre a RedBird Capital Partners e a IMI do vice-primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Mansour bin Zayed Al Nahyan, fracassou em 2024 após uma polêmica no Reino Unido sobre o potencial envolvimento de um Estado do Oriente Médio em uma organização de mídia britânica. O governo controlado pelos conservadores propôs leis para impedir acordos entre jornais e revistas que envolvam “propriedade, influência ou controle por estados estrangeiros”. As regras propostas não teriam impacto sobre empresas estrangeiras proprietárias de ativos, como a News Corp., de Rupert Murdoch, sediada nos EUA. Em novembro, o proprietário do Daily Mail fechou um acordo de 500 milhões de libras para comprar o Telegraph, numa tentativa de criar um grupo de mídia dominante de direita no Reino Unido, mas o governo trabalhista interveio no mês passado com investigações regulatórias Um porta-voz do proprietário do Daily Mail reconheceu o acordo com a Axel Springer e criticou as regras que desencadearam as investigações. O Reino Unido exige pluralidade na mídia, com o objetivo de garantir diversidade de propriedade e pontos de vista. “O quadro regulamentar prolongado e desatualizado garante que os grupos de jornais nacionais sediados no Reino Unido estejam em enorme desvantagem competitiva em qualquer processo de fusão”, disse o porta-voz. Esta será a primeira incursão de Döpfner no mercado de jornais do Reino Unido e a mais recente de suas aquisições. A KKR & Co., parceira de longa data, comprou a unidade de classificados da Springer, uma fonte de renda por anos, por cerca de €10 bilhões no ano passado. Isso deixou Döpfner e Friede Springer, viúva do fundador da empresa, com o restante da empresa, avaliada em aproximadamente €3,5 bilhões, e uma grande quantia em dinheiro. A Axel Springer afirmou em comunicado divulgado na sexta-feira que está trabalhando com o governo para obter as aprovações necessárias para a consolidação do acordo. Um porta-voz do Departamento de Cultura, Mídia e Esporte do reino Unido disse que a secretária de Cultura, Lisa Nandy, irá “avaliar o novo acordo”. Para analistas, é improvável que o acordo da Axel Springer provoque as mesmas preocupações políticas e de concorrência que as propostas anteriores. O jornal The Telegraph reportou receitas de assinaturas de £81,1 milhões de libras em 2024, um aumento de 18% em relação ao ano anterior. A receita total do ano foi de £279 milhões de libras.