UOL/FOLHAPRESS O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Majid Takht-Ravanchi, fez ameaça aos países europeus que se juntarem aos Estados Unidos e a Israel em guerra no Oriente Médio, iniciada no último sábado (28). Ameaça foi feita por líder iraniano durante entrevista ao canal France 24. Fala veio após manifestação conjunta de países europeus em apoio à ofensiva americana e israelense. "[Nós já tínhamos] informado aos europeus e todos os demais que deveriam ter cuidado para não se envolverem nessa guerra de agressão contra o Irã", disse Majid Takht-Ravanchi. "Se [algum país] se juntar aos Estados Unidos e a Israel na agressão contra o Irã, também se tornará alvo legítimo de retaliação iraniana", disse Majid Takht-Ravanchi. Alemanha, França e o Reino Unido exigiram o fim dos "ataques imprudentes" do Irã. Em declaração conjunta, os três países informaram que tomarão as ações "defensivas" necessárias para "destruir a capacidade do Irã de lançar mísseis e drones em sua origem". Alemanha disse que não é hora de dar "lições" aos parceiros que agrediram o Irã. A diplomacia alemã avisou ainda que compartilha dos objetivos dos EUA e de Israel de derrubar o governo de Teerã, se colocando ainda para contribuir com a "recuperação econômica do Irã". Irã confirma ataque contra grupos curdos no Iraque Majid Takht-Ravanchi afirmou que ofensiva foi para defender soberania do Irã. Os ataques do Irã contra os grupos curdos ocorreram em meio a relatos de que os Estados Unidos poderiam armar esses grupos- historicamente contrários a governos do regime iraniano -para atacar ou promover insurreição local. "Se houver necessidade de proteger nossa soberania, certamente o faremos", disse Majid Takht-Ravanchi. Os ataques dos exércitos dos EUA e de Israel contra o Irã se intensificaram ontem. Em resposta, a Guarda Revolucionária iraniana atacou uma base militar norte-americana no Iraque, além de danificar um petroleiro com bandeira americana. Bombardeios realizados contra o Irã "foram intensos". "Hoje está pior do que ontem. Não temos para onde ir. É como uma zona de guerra", reportou um morador de Teerã à agência de notícias Reuters. Ataques têm se concentrado na capital Teerã e aumenta número de mortos no país. Em menos de uma semana de guerra, os ataques de Israel e EUA já mataram 1.230 iranianos, segundo reportou a Irna, agência oficial de notícias do país. Ontem, os mortos eram 1.045 -a maior parte das vítimas são civis, incluindo dezenas de crianças. Em meio às investidas israelenses e americanas, o regime iraniano adiou o velório de seu líder supremo, Ali Khamenei, assassinado no primeiro dia da guerra. Adiamento do cortejo fúnebre se deu por temores de um ataque à multidão, disse a Reuters. As cerimônias fúnebres de líderes políticos e religiosos xiitas, especialmente aqueles considerados mártires, são conhecidas por demonstrações públicas de paixão, ressaltou a agência. EUA planejam provocar uma guerra civil no Irã como forma de derrubar a teocracia que governa o país. A ideia original era gerar revolta popular com a morte de Khamenei, o que não ocorreu. Para evitar um conflito interno, a República Islâmica atacou separatistas. Ontem, os EUA atingiram um navio de guerra do Irã na costa do Sri Lanka. O ataque deixou pelo menos 87 pessoas mortas e dezenas de feridos. O regime iraniano prometeu se vingar.